Cotidiano

Anápolis inicia testes de tecnologia luminosa para combater larvas do Aedes aegypti

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 13:50 | Atualizado há 4 meses

Aplicação da nova tecnologia ocorre em áreas com maior incidência de dengue no município | Foto: Reprodução
Aplicação da nova tecnologia ocorre em áreas com maior incidência de dengue no município | Foto: Reprodução

Anápolis passou a receber testes de uma nova tecnologia voltada ao combate do mosquito da dengue. O método utiliza a incidência de luz para eliminar larvas do Aedes aegypti e emprega cápsulas produzidas com curcumina, substância natural extraída do açafrão-da-terra. A aplicação ocorre diretamente em pontos com acúmulo de água, ambientes ideais para a reprodução do inseto.

O processo age ainda no estágio inicial do mosquito. Ao consumir o composto liberado pela cápsula, a larva reage à exposição luminosa presente no ambiente. Essa interação provoca uma reação química no organismo do inseto, que impede seu desenvolvimento e evita que ele alcance a fase adulta, quando passa a transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

Os testes integram a terceira etapa da pesquisa, fase em que a tecnologia deixa o laboratório e passa a ser avaliada em situações reais. A escolha das áreas segue critérios epidemiológicos definidos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O Jardim Esperança foi o primeiro bairro contemplado, por concentrar maior incidência de casos da doença. Na sequência, a aplicação deve alcançar a região da Vila Jaiara.

Os dados reforçam a necessidade de novas ferramentas de controle. Em 2025, Anápolis confirmou 55 casos de dengue e três mortes associadas à doença. Em Goiás, o cenário é mais amplo, com 70.491 registros, 106 óbitos confirmados e outras 46 mortes ainda em investigação pelas autoridades de saúde.

A tecnologia concentra sua atuação nos principais focos do mosquito, como caixas d’água, baldes e recipientes abandonados em quintais. Ao entrar em contato com a água, a cápsula libera uma substância atrativa para as larvas. Como o inseto apresenta corpo translúcido nessa fase, a luz atravessa o organismo e ativa o composto ingerido. Esse processo gera uma reação de oxidação que leva à eliminação da larva.

Dez anos de estudos entram na etapa decisiva

A pesquisa já ultrapassou a marca de dez anos de desenvolvimento e reúne trabalhos da Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e da Universidade de São Paulo (USP). Nesta fase, o estudo deixa o ambiente controlado dos laboratórios e passa a ser testado em condições reais. Os pesquisadores vão observar se o produto mantém a eficiência quando aplicado em larga escala, além de medir possíveis impactos no meio ambiente e avaliar se o método é viável para uso por gestões municipais.

Se os testes confirmarem a eficácia e os órgãos reguladores, como a Anvisa, concederem autorização, o próximo passo será ampliar a produção. Dessa forma, a tecnologia poderá ser incorporada às ações oficiais de combate ao mosquito em diferentes cidades do país, ampliando o alcance das estratégias de prevenção.

Mesmo com a inovação, especialistas lembram que o principal aliado no controle do Aedes aegypti continua sendo a população. Assim, medidas simples e já conhecidas seguem essenciais, eliminar água parada, cobrir reservatórios, limpar quintais e descartar corretamente objetos que possam acumular água. Só com essa combinação de ciência e prevenção comunitária será possível reduzir de forma consistente os focos e os riscos à saúde.


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