Cotidiano

Veja o que já foi apurado sobre a morte do cão Orelha em Santa Catarina

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 14:56 | Atualizado há 6 meses

Cão comunitário Orelha era cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis | Foto: Reprodução
Cão comunitário Orelha era cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis | Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) mantém em andamento as investigações para identificar os responsáveis pelas agressões que resultaram na morte do cão conhecido como “Orelha”, um animal comunitário da Praia Brava, em Florianópolis. O caso é apurado com o acompanhamento do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), devido à gravidade dos maus-tratos denunciados.

Ativista

Segundo a ativista Luísa Mell, que afirmou ter tido acesso ao laudo pericial, o cão Orelha foi submetido a uma agressão com a introdução de um objeto de madeira enquanto ainda estava vivo. De acordo com a ativista, o material alcançou uma região interna próxima à garganta do animal. A informação foi tornada pública pela própria Luísa Mell.

Como parte das diligências, a corporação realizou, na manhã da última segunda-feira (26), uma ação policial voltada ao aprofundamento das apurações. Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos de envolvimento nas agressões contra o animal.

Paralelamente ao inquérito sobre a morte de “Orelha”, a Polícia Civil também apura um segundo episódio de possível maus-tratos ocorrido na mesma região. O caso envolve um cão conhecido como caramelo, que teria sido carregado até o mar por um adolescente. Apesar da situação, o animal conseguiu sair da água sem ferimentos aparentes.

As investigações seguem em curso para esclarecer as circunstâncias dos dois episódios e apurar as eventuais responsabilidades criminais. A Polícia Civil informou que novas diligências podem ser realizadas à medida que surgirem elementos que contribuam para o avanço dos inquéritos.

Apuração e desdobramentos do caso

De acordo com a Polícia Civil, a ação realizada teve como finalidade o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a pessoas investigadas por envolvimento nas agressões contra o animal. O material recolhido durante a operação deve auxiliar no esclarecimento das circunstâncias do crime.

As apurações tiveram início após o recebimento de uma denúncia indicando que um grupo de adolescentes poderia ser o responsável pelos maus-tratos praticados contra o cão. O animal foi localizado com ferimentos graves e, em razão do estado de saúde, precisou passar por eutanásia, procedimento conhecido como morte assistida.

A Polícia Civil informou ainda que, caso a participação dos adolescentes seja confirmada ao final da investigação, o relatório conclusivo será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei. A medida leva em consideração a idade dos suspeitos e segue os protocolos previstos na legislação vigente.

Suspeita de coação durante a investigação

Além da apuração sobre os maus-tratos ao animal, a Polícia Civil de Santa Catarina investiga a possível prática de coação ao longo do inquérito. Segundo as informações levantadas até o momento, um pai e um policial civil estariam envolvidos em tentativas de intimidar uma testemunha ligada ao caso.

De acordo com o delegado Ulisses Gabriel, um dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta etapa da investigação teve como foco um indivíduo suspeito de coagir uma testemunha durante o andamento do procedimento policial. A diligência também buscava localizar uma arma de fogo que, conforme a apuração, teria sido utilizada para ameaçar a testemunha. No entanto, o objeto não foi encontrado.

A operação também incluiu o cumprimento de mandados em endereços vinculados a dois adolescentes investigados. O objetivo foi apreender equipamentos eletrônicos, especialmente computadores e aparelhos celulares, que possam conter informações relevantes para a elucidação dos fatos.

Ainda conforme o delegado, até o momento, dois adolescentes foram diretamente alvos das buscas, enquanto outros dois se encontram nos Estados Unidos em uma viagem que, segundo a polícia, já estava previamente programada. As investigações indicam que quatro adolescentes teriam participado das agressões contra o cão, além da possível atuação de três adultos em um esquema de coação relacionado ao andamento do processo investigativo.

Repercussão pública e pedidos por justiça

A morte do cão comunitário conhecido como “Orelha” gerou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou moradores da região, organizações não governamentais e associações locais, que passaram a cobrar a responsabilização dos envolvidos. O animal vivia na Praia Brava, em Florianópolis, e era cuidado de forma coletiva pela comunidade há aproximadamente dez anos.

Em nota, a Associação dos Moradores da Praia Brava destacou que o cachorro fazia parte da rotina do bairro e era mantido de maneira espontânea por pessoas da própria comunidade. Segundo a entidade, Orelha se tornou um símbolo da convivência entre os moradores e do cuidado compartilhado com os animais que circulam pela região.

O caso também motivou um posicionamento do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). De acordo com ele, a solicitação dos mandados judiciais ocorreu poucos dias após o início das investigações. Em manifestação oficial, o governador afirmou que tomou conhecimento da situação em 16 de janeiro e determinou a abertura imediata de investigação pela Polícia Civil. Segundo ele, a corporação realizou diligências, reuniu provas e encaminhou os pedidos à Justiça.

Ainda conforme o governador, a magistrada inicialmente responsável pelo caso declarou-se impedida, o que levou à designação de um novo juiz para analisar os requerimentos. Jorginho Mello afirmou que o processo já reúne provas relevantes e que novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias, ressaltando o impacto emocional causado pelas evidências reunidas ao longo da investigação.


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