Internacional

Relógio do Apocalipse avança para 85 segundos da meia-noite em sinal de alerta máximo

Léo Carvalho

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 17:07 | Atualizado há 6 meses

Criado em 1947, o Relógio do Apocalipse é um indicador simbólico do nível de risco enfrentado pela humanidade | Foto: Getty Images
Criado em 1947, o Relógio do Apocalipse é um indicador simbólico do nível de risco enfrentado pela humanidade | Foto: Getty Images

O Relógio do Apocalipse, símbolo criado por cientistas para indicar a proximidade da humanidade de uma catástrofe global, foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026. Trata-se do ponto mais crítico de seus 77 anos de história, superando os 90 segundos registrados entre 2023 e 2025.

A decisão do Bulletin of the Atomic Scientists, anunciada em Washington, reflete preocupações com o aumento das tensões nucleares entre potências como Estados Unidos, China e Rússia, que concentram a maior parte das cerca de 12 mil ogivas nucleares existentes no mundo, segundo estimativas internacionais. O relatório também menciona o avanço da inteligência artificial aplicada a sistemas militares, a intensificação da crise climática e os riscos associados a patógenos emergentes. “Qualquer movimento em direção à meia-noite é um sinal de perigo grave”, afirmou Daniel Holz, professor da Universidade de Chicago e presidente do conselho científico da organização.

Especialistas apontam o enfraquecimento da ordem multilateral como um fator adicional de risco. Alicia Sanders-Zakre, da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares, havia antecipado a possibilidade de avanço do ponteiro, ao afirmar que o risco de uso dessas armas aumentou no último ano. Já o pesquisador S.J. Beard, do Centro para o Estudo do Risco Existencial da Universidade de Cambridge, declarou que a ordem mundial multilateral entrou em colapso.

IA, clima e pandemias ampliam ameaças

Além do risco nuclear, o Bulletin ampliou sua análise para incluir tecnologias emergentes. A incorporação de sistemas de inteligência artificial em estratégias militares, aliada ao aquecimento global e a ameaças biológicas, foi apontada como um conjunto de fatores que elevam a vulnerabilidade global. O anúncio contou com a participação da jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, além de especialistas das áreas de clima e biologia.

O momento mais distante da meia-noite ocorreu em 1991, quando o relógio marcava 17 minutos, após o fim da Guerra Fria. Segundo a organização, o instrumento não tem caráter preditivo, mas busca chamar atenção para a necessidade de ação. “Ainda há tempo para recuar”, afirmou Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia e também Nobel da Paz.

O Bulletin atribui principalmente a Estados Unidos, China e Rússia a responsabilidade pela maior capacidade de destruição em escala global. A CEO da organização, Alexandra Bell, afirmou que o alerta busca evidenciar o aumento dos riscos sistêmicos e a necessidade de respostas coordenadas. Entre as medidas defendidas estão negociações sobre armas nucleares, redução de emissões de gases de efeito estufa e regulação internacional do uso de inteligência artificial.

No Brasil, especialistas como o físico José Goldemberg, da Universidade de São Paulo, acompanham o debate em discussões sobre energia nuclear e mudanças climáticas. O avanço do relógio reforça o contexto de urgência para fóruns internacionais, como a COP31, prevista para 2026.


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