Ato de agradecer ganha espaço na ciência e se destaca como aliada da saúde mental
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 11:14 | Atualizado há 4 meses
A prática da gratidão ativa áreas do cérebro ligadas à regulação emocional e ao bem-estar | Foto: Reprodução
Geralmente associada à espiritualidade, à religiosidade ou a um perfil mais otimista, a gratidão ganhou, nas últimas décadas, um novo olhar da ciência. Pesquisas nas áreas da psicologia e das neurociências mostram que o ato de agradecer vai além do simbolismo e pode gerar efeitos concretos na saúde mental.
Em um cotidiano marcado por pressa, cobranças constantes e altos níveis de estresse, a gratidão tem sido apontada como uma estratégia simples de autocuidado emocional. Ao contrário do que muitos imaginam, é uma prática com impacto direto no funcionamento do cérebro.
“Muita gente acredita que a gratidão é algo exclusivamente espiritual, mas ela é uma poderosa ferramenta de cuidado com a saúde mental. Reconhecer aspectos positivos da vida ajuda o cérebro a reorganizar o foco da atenção, reduzindo a tendência de se fixar apenas em ameaças, perdas e frustrações”, explica a neuropsicóloga Leninha Wagner, em entrevista ao Jornal Diário da Manhã.
Cérebro sob a influência da gratidão
Do ponto de vista neurológico, a prática da gratidão ativa regiões cerebrais ligadas à regulação emocional, como o córtex pré-frontal, além de estimular sistemas associados à recompensa. Estudos indicam que pessoas que cultivam esse hábito apresentam maior liberação de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como dopamina e serotonina.
Esse mecanismo contribui para a sensação de satisfação, equilíbrio emocional e maior capacidade de lidar com as demandas do dia a dia. Em situações de ansiedade e estresse crônico, a gratidão funciona como um contraponto, ajudando a reduzir o estado de alerta constante característico desses quadros.

Relações sociais mais saudáveis
De acordo com a neuropsicóloga Leninha, os efeitos da gratidão também se estendem às relações interpessoais. Para ela, pessoas que expressam reconhecimento e apreço com mais frequência tendem a fortalecer vínculos, melhorar a comunicação e construir conexões emocionalmente mais seguras. “Esse aspecto é fundamental para a saúde mental, já que o senso de pertencimento e a conexão social funcionam como fatores de proteção contra a depressão e outros tipos de sofrimento psíquico”, afirma a especialista.
Leninha Wagner explica ainda que a gratidão também está associada a melhorias no sono, um dos pilares da saúde mental. Ao reduzir pensamentos ruminativos e a autocobrança excessiva no fim do dia, o cérebro encontra mais facilidade para desacelerar, favorecendo o relaxamento necessário para um descanso de qualidade.
Apesar dos benefícios comprovados, a gratidão não deve ser confundida com negação de emoções difíceis, conforme a neuropsicóloga Leninha Wagner. “A prática saudável não invalida sentimentos como tristeza, raiva ou frustração, mas amplia o repertório emocional, permitindo que o indivíduo reconheça tanto os desafios quanto os aspectos positivos da própria trajetória.”
Sobre reconhecer desafios, dores e frustrações, segundo a neuropsicóloga, também faz parte de um cuidado emocional saudável e equilibrado.