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Coró de Pau conta das avenidas de Goiânia durante pré-carnaval e carnaval

Redação

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 19:47 | Atualizado há 4 meses

Coró de Pau joga-se na 2ª edição do Carnaval Coró de Pau, no Mercado da Vila Nova
Coró de Pau joga-se na 2ª edição do Carnaval Coró de Pau, no Mercado da Vila Nova

Marcus Vinícius Beck

Talvez ansiosa e bêbada de música, a batucada indica que o carnaval já vai começar nas ruas. Antes da festa popular estrear, no entanto, o Coró de Pau promove neste sábado (7/2) um fio de resistência e memória em Goiânia. Tamborila a saudade na percussão afro-brasileira.

Aliviemos, pois, o peso das palavras. Ninguém aqui é de pedra, para evocar o mestre do verso Paulinho da Viola. Risos da cabrocha, generosa, tal qual um beijo de paixão. E tome um improviso, conforme Paulinho augura no cocuruto carnavalesco deste reles escriba.

Evoé, Momo! Dureza só depois das cinzas de quarta-feira. Chegou a hora de inverter a ordem. O carnaval é, antes de tudo, a celebração da fantasia, do irreal e do excesso. Não é pouco em um país hierarquizado como o Brasil, no qual o “carteiraço” reina nas esquinas.

Essa tese, amigo leitor, nasceu na pena antropológica do escritor Roberto DaMatta, autor do livro “Carnavais, Malandros e Heróis”, de 1979. Segundo DaMatta, a beleza exibe-se nas ruas durante a folia, espaço público e plural por excelência. Vem dali a utopia do belo.

Agora Nação Zumbi & Chico Science andam na “Manguetown”: “Andando por entre os becos/ Andando em coletivo.” Por aqui, será assim: o bloco Coró de Pau, tradição do carnaval goianiense, ocupa as avenidas da metrópole com dois projetos complementares.

Produtores estimam público entre 3 e 5 mil pessoas no Carnaval dos Amigos

Ou seja, a associação marca a festa em momentos distintos: no pré-carnaval e no carnaval. No sábado, dia 7, os foliões botam nas ruas o Coró de Pau – Cortejo dos Brincantes, durante o tradicional Carnaval dos Amigos, em um percurso que liga as avenidas T-3, T-9 e 85.

Na sexta (13/2), o Coró de Pau joga-se na 2ª edição do Carnaval Coró de Pau, no Mercado da Vila Nova. Mais uma vez, os músicos inauguram os festejos carnavalescos na capital por meio do Encontro de Blocos de Rua Tradicionais, que chega neste ano à sua 19ª edição.

Sete blocos participam da festa na Vila Nova: Bloco do Caçador, Bloco Sambagô, Bloco Coró de Pau, Bloco Coró Mulher, Bloco Vida Seca, Bloco Desencuca e Bloco Sativa. A ideia, de acordo com os organizadores, é consolidar a rua como “território simbólico” da música.

Disco trocado na vitrola, o Mundo Livre mexe-se: “A arte de mexer vem desde os tempos da pedra lascada.” Fred Zero Quatro, vocalista, vaticina: “Quando você para de brincar de mexer/ Você envelhece (lhece)/ A sua barba cresce (cresce).” Até seu amor desaparece.

“Mexe, mexe, mexe”, entoa. Do mangue à rua, o Cortejo dos Brincantes, o Carnaval Coró de Pau e a banda Coró de Pau revelam a dimensão social da música. Você haverá de pensar que a ideia dos artistas consiste em ir além do entretenimento. É isso mesmo, meu velho.

Evento aquece a economia ao mobilizar profissionais

Carnaval Coró de Pau ocupa espaço urbano com cores e ritmo da percussão

Eis a trupe envolvida no evento rítmico: dezenas de instrumentistas, 200 profissionais, público mobilizado, empregos gerados, economia fortalecida, carnaval como patrimônio vivo da cidade. Tudo apoiado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC).

Na expectativa do Cortejo dos Brincantes, o pré-carnaval será um sucesso de público. A projeção, entre os produtores, é de avenida cheia — com 50 mil pessoas só no Carnaval dos Amigos. Três bonecos de rua e quatro estandartes expandem o impacto visual do bloco.

Já a 2ª do Carnaval Coró de Pau, no Mercado da Vila Nova, opera sob o signo da ocupação simbólica do espaço urbano. Para os organizadores, a folia reunirá de 3 a 5 mil pessoas em torno dos ritmos afro-brasileiros. É a união da música, da educação e da sustentabilidade.

À frente da condução musical, Mestre Alemão explica o efeito Coró de Pau. “Quando o Coró de Pau entra na rua, não é só para animar a festa [carnavalesca]. É para lembrar que o tambor é linguagem ancestral, é ferramenta de educação, é gesto político”, declara.

“A gente toca para juntar pessoas, histórias e territórios”, emenda Alemão. O carnaval, para o mestre, revela-se experiência de pertencimento, de diversidade e de consciência social. Outra vez, o bloco faz rufar os tambores e, ao fazê-lo, celebra a cultura popular goiana.

Pense naqueles dias em que iremos saborear a carne. A graça na fuzarca. Até que tudo se acabe na quarta-feira e só reste a aspirina e aquela tapioca-rotina. O Brasil cairá na farra.

Fotos: Michelly Matos


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