CBF adota iPhones para novo sistema de impedimento semiautomático no futebol brasileiro
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 14:54 | Atualizado há 4 meses
iPhones são usados no novo sistema de impedimento semiautomático no Maracanã | Foto: Reprodução
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) finalizou, na última quarta-feira (28), a montagem da estrutura necessária para o impedimento semiautomático no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Com a instalação concluída, o projeto entra em sua etapa derradeira antes do início dos testes em campo. O sistema adotado no Brasil segue um modelo já utilizado em grandes ligas internacionais e chama atenção por empregar iPhones como principal ferramenta de captação de imagens.
A tecnologia está sendo implementada em parceria com a empresa Genius Sports, responsável pelo fornecimento da solução utilizada em competições como a Premier League, além de torneios organizados pela Uefa e pela Fifa. Após a fase estrutural, o próximo passo será a ativação das linhas virtuais no gramado, procedimento indispensável para o início das avaliações operacionais do sistema.
Imagens divulgadas pela CBF mostram que o modelo instalado no Maracanã funciona com um conjunto de iPhones conectados a um software capaz de reconstruir as jogadas em ambiente tridimensional e em tempo real. Os aparelhos não têm papel decisório na arbitragem e não substituem o VAR, atuando exclusivamente como dispositivos de coleta de dados visuais que alimentam o sistema de análise.
Ao todo, 28 dispositivos foram posicionados ao redor do estádio, distribuídos em 12 estruturas fixadas em pontos estratégicos. Esses suportes garantem cobertura integral do campo e permitem que os aparelhos operem de forma sincronizada, enviando informações continuamente para a central de processamento.
Como os iPhones são usados no sistema
Os smartphones utilizados registram as partidas em resolução 4K e a 100 quadros por segundo, desempenho superior ao das câmeras tradicionais de transmissão. Esse nível de precisão possibilita identificar com maior exatidão tanto o instante do passe quanto a posição corporal dos atletas envolvidos no lance.
Todo o material captado é processado pelo software da Genius Sports, que gera uma representação digital em 3D da jogada. A partir desse modelo, o sistema consegue mapear milhares de pontos do corpo de cada jogador e apontar qual parte está mais avançada em relação à linha defensiva no momento do passe.
Técnicos envolvidos no projeto reforçam que a decisão final continua sendo da arbitragem. O smartphone atua apenas como uma câmera de alta performance integrada a uma estrutura tecnológica mais ampla, voltada à análise e à padronização das marcações.
A adoção de celulares no lugar de equipamentos proprietários marca uma mudança relevante na implementação da tecnologia. O uso de hardware comercial facilita a instalação, reduz a complexidade logística e permite maior uniformidade entre os estádios que receberão o sistema.
Entenda o impedimento semiautomático
Conhecido como Semi-Automated Offside Technology (SAOT), o sistema automatiza etapas que antes dependiam exclusivamente da atuação manual do árbitro de vídeo. Atualmente, em lances ajustados, o VAR precisa selecionar o quadro exato do passe e traçar linhas em imagens bidimensionais, processo que demanda tempo e pode gerar inconsistências.
Com o SAOT, o software indica automaticamente o momento do toque na bola e projeta as linhas de impedimento em um ambiente tridimensional. Cabe ao árbitro de vídeo apenas revisar a sugestão, confirmar a identificação correta dos jogadores e validar a decisão final.
Diferentemente de outros modelos, o sistema não utiliza chip na bola. A definição do instante do passe é feita por meio de rastreamento óptico, baseado nos movimentos do corpo do atleta que executa a ação. Dados da Premier League indicam que a tecnologia é capaz de acompanhar cerca de 10 mil pontos de superfície por jogador.
Na prática, a ferramenta não altera a regra do impedimento. O objetivo principal é tornar o processo mais rápido, consistente e padronizado. Na Inglaterra, onde já está em uso, a média de tempo de checagem em lances milimétricos foi reduzida em aproximadamente 30 segundos.
O modelo adotado pela CBF é o mesmo utilizado na Premier League, que passou a empregar o sistema com iPhones após testes realizados ao longo de várias temporadas. A tecnologia também foi aplicada em competições da Uefa, como a Champions League, e na Copa do Mundo do Catar, organizada pela Fifa.
Na Europa, o funcionamento ocorre por meio do software Dragon, desenvolvido pela Genius Sports e licenciado para operar em dispositivos da Apple. Além da Inglaterra, a empresa fornece a tecnologia para ligas como as da Bélgica e do México.
Após a validação do lance pelo VAR, o sistema gera uma animação em três dimensões que ilustra a posição dos jogadores no momento do passe, com linhas virtuais indicando a linha de impedimento. O conteúdo pode ser exibido tanto nas transmissões quanto nos telões dos estádios.
Próximos passos no Brasil
No cenário nacional, a CBF planeja uma adoção progressiva da tecnologia. Com o Maracanã já equipado, o estádio avança agora para a fase de ativação das linhas e testes com simulações de jogo.
Outras arenas também estão no cronograma de implantação, como Nilton Santos, Arena MRV, Mineirão e Mangueirão. De acordo com a Genius Sports, a instalação física leva cerca de dois dias por estádio, mas o processo completo, incluindo calibração, testes e treinamento de equipes, pode se estender por até quatro meses.
A projeção da entidade é que o impedimento semiautomático passe a ser utilizado oficialmente no Campeonato Brasileiro a partir de 2026, após a conclusão de todas as etapas de validação técnica exigidas pelos órgãos internacionais responsáveis pela arbitragem no futebol.