Brasil

Nipah, gripe K e gripe aviária lideram lista de doenças que preocupam em 2026

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 15:57 | Atualizado há 4 meses

Especialistas monitoram vírus e doenças que podem representar riscos à saúde em 2026 | Foto: Reprodução
Especialistas monitoram vírus e doenças que podem representar riscos à saúde em 2026 | Foto: Reprodução

Especialistas em infectologia apontam três agentes infecciosos como os principais focos de atenção global para 2026: o vírus Nipah, a chamada gripe K e a gripe aviária. A avaliação leva em conta fatores como alta letalidade, capacidade de mutação, histórico recente de surtos e o cenário de intensa circulação internacional de pessoas e mercadorias, que amplia o risco de disseminação rápida de doenças zoonóticas.

Vírus Nipah

O vírus Nipah volta ao radar das autoridades sanitárias após novos registros na Ásia. Trata-se de um patógeno transmitido de animais para humanos, com origem associada a morcegos frugívoros, e que pode infectar pessoas por meio do consumo de frutas contaminadas ou do contato próximo com indivíduos doentes.

Com taxas de mortalidade que podem chegar a 75%, a doença não possui vacina nem tratamento específico. Em janeiro de 2026, casos confirmados na Índia levaram países asiáticos a reforçarem protocolos de vigilância em aeroportos. Embora não haja registros de circulação no Brasil, infectologistas alertam para a gravidade do quadro, cerca de um quinto dos sobreviventes desenvolve sequelas neurológicas permanentes.

Gripe K

Outro ponto de atenção é a gripe K, uma variante do vírus Influenza A do tipo H3N2, classificada dentro do subclado K. O que chama a atenção dos especialistas é o surgimento precoce da cepa e mutações que favorecem maior transmissibilidade. Os sintomas são semelhantes aos da gripe comum, mas podem evoluir para quadros mais graves em idosos, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos.

Diferentemente do Nipah, no entanto, há proteção disponível, as vacinas contra a gripe e os antivirais já utilizados se mostram eficazes. Ainda assim, a circulação antecipada da variante tem gerado preocupação na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, onde quatro casos foram confirmados em dezembro de 2025, nos estados do Pará e de Mato Grosso do Sul.

Gripe Aviária

A gripe aviária também permanece sob vigilância constante. Subtipos como H5N1 e H5N5 continuam circulando entre aves selvagens e acumulando mutações ao longo do tempo. Embora o risco de transmissão sustentada entre humanos seja considerado baixo, o histórico recente acende alertas.

Desde 2024, casos foram identificados em vacas leiteiras nos Estados Unidos, indicando a capacidade do vírus de atravessar barreiras entre espécies. Especialistas destacam que a disseminação por aves migratórias favorece a expansão global do patógeno, tornando indispensáveis o monitoramento de rebanhos, a vigilância ambiental e medidas rigorosas de higiene para reduzir a chance de adaptação do vírus ao organismo humano.

Arboviroses

No cenário brasileiro, além das ameaças globais, doenças já conhecidas seguem impondo desafios ao sistema de saúde. As arboviroses, especialmente a dengue, continuam em alta. A projeção para a temporada 2025-2026 aponta cerca de 1,8 milhão de casos no país, com avanço significativo em estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro e regiões do Nordeste. O aumento está relacionado a fatores climáticos, urbanização e dificuldades no controle do mosquito transmissor.

Sífilis adquirida

Outro dado que preocupa é o avanço da sífilis adquirida. Em 2024, o Brasil registrou a maior taxa da série histórica, com 120,8 casos por 100 mil habitantes, totalizando cerca de 256 mil diagnósticos. A sífilis congênita apresentou redução, com 24.443 casos notificados, mas a transmissão vertical ainda permanece elevada, atingindo 35,4 casos a cada mil nascidos vivos. Diante desse cenário, campanhas de saúde pública têm reforçado a importância do diagnóstico precoce, da ampliação de testes rápidos e do tratamento com penicilina, especialmente entre gestantes, como estratégia central para conter a doença.

Para infectologistas, o conjunto desses fatores reforça a necessidade de vigilância contínua, investimento em prevenção e cooperação internacional. Em um mundo cada vez mais conectado, surtos localizados podem rapidamente se transformar em crises globais, exigindo respostas ágeis e coordenadas dos sistemas de saúde.


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