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‘Bugonia’, com Emma Stone, faz alegoria política no Cine Cultura

Redação

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 20:53 | Atualizado há 4 meses

Emma Stone pode vencer Oscar de Melhor Atriz
Emma Stone pode vencer Oscar de Melhor Atriz

Alessandra Monterastelli

(Folhapress) – O apetite de Yorgos Lanthimos pelo excêntrico se tornou o DNA de seus filmes, povoados por personagens esquisitos que parecem não ser deste mundo. É curioso que seu novo filme, “Bugonia”, use extraterrestres para denunciar que não há anomalia maior do que a sociedade contemporânea. O filme estreia nesta quinta-feira (5/2), às 19h30, no Cine Cultura

A trama de “Bugonia”, baseada no filme sul-coreano “Save the Green Planet!”, de 2003, gira em torno de Teddy, interpretado por Jesse Plemons, um homem frustrado que mora com o primo em uma pequena e úmida cidade americana. Ele está sempre suado e andando de lá para cá de bicicleta enquanto ouve podcasts sobre teorias conspiracionistas.

Teddy está convencido de que os chamados “andromedans”, criaturas superiores de outro planeta, estão infiltradas entre os humanos para destruir a Terra. A crença é reforçada pela câmara de eco em que ele se encontra na internet, uma espiral sem fim de conteúdos que reafirmam suas ideias metralhadas na tela de seu celular pelo algoritmo.

O alvo de Teddy é Michelle, personagem de Emma Stone, executiva de uma gigante empresa farmacêutica que camufla seu calculismo com discursos corporativos sobre diversidade. Teddy, que dá vários sinais de transtorno mental, acredita que ela é uma alienígena e a sequestra com a ajuda de seu primo.

O objetivo é fazer Michelle confessar a sua verdadeira identidade, para que ela possa levar os dois até seus líderes alienígenas — o que, claro, não sai como planejado. Em cativeiro, a empresária é submetida a testes físicos e discussões que parecem não levar a lugar algum, enquanto tenta bolar alguma estratégia para escapar.

Não por acaso, “Bugonia” é quarto filme de Stone com o diretor, depois de “A Favorita”, “Tipos de Gentileza” e “Pobres Criaturas”, que garantiu a ela seu segundo Oscar de melhor atriz, em 2023, pela encarnação de Bella Baxter, mulher frankenstein que volta à vida com o cérebro de um bebê e passa a desafiar as convenções de gênero.

“Bugonia” talvez contenha uma das mensagens políticas mais decifráveis e explícitas do diretor grego. “Precisamos ser mais prudentes em relação a forma que obtemos a informação e no que decidimos acreditar. Podemos não concordar, mas às vezes outras pessoas podem dizer verdades que não queremos enxergar.”

Para Lanthimos, a busca de respostas fáceis nas tecnologias por parte de pessoas como Teddy é, na realidade, uma tentativa desesperada de se ancorar em alguma coisa palpável nesses tempos sombrios. “As coisas estão caminhando para um sentido incerto, e isso é assustador. É reconfortante se convencer de que o problema é uma coisa específica”, diz.

Foto: Divulgação/Universal Pictures


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