Economia

Brasil e Índia avançam em acordo sobre terras raras para reduzir dependência da China

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 10:58 | Atualizado há 4 meses

Brasil e Índia buscam reduzir dependência da China em minerais críticos | Foto: Reprodução
Brasil e Índia buscam reduzir dependência da China em minerais críticos | Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, devem buscar um acordo de cooperação entre os países para a mineração e processamento de terras raras, em mais um passo para tentar diminuir a dependência da China no acesso aos minerais no longo prazo.

Os líderes se encontram nesta semana em Nova Déli, capital do país asiático. Lula viaja para lá com o objetivo de estabelecer a abertura de novos mercados, como o do agronegócio, debater a regulamentação da inteligência artificial e assinar memorandos de entendimento e acordos em diversas áreas, entre elas de minerais críticos e terras raras.

Reservas e desafios na mineração

Tanto Brasil quanto Índia estão entre os países com as maiores reservas desses tipos de minérios, essenciais para tecnologias voltadas à transição energética, atrás somente da China. Apesar disso, têm mínima capacidade de mineração e processamento, com o Brasil em condições ainda inferiores às da indústria indiana.

A China detém monopólio sobre os recursos, uma vez que possui cerca de 70% das reservas mundiais e em torno de 90% da capacidade de processamento, uma técnica que envolve diversas etapas de alta complexidade.

O entendimento será assinado após a empresa indiana Altmin anunciar um investimento de cerca de R$ 220 milhões na Companhia Brasileira de Lítio para a exploração de lítio, um mineral crítico essencial para a transição energética.

Investimentos em mineração e processamento de terras raras devem ampliar protagonismo brasileiro e indiano no mercado internacional | Foto: Reprodução

Implicações geopolíticas e oportunidades

Também é esperado que o assunto permeie as discussões entre Lula e Lee Jae‑myung, presidente da Coreia do Sul, para onde o brasileiro viaja após a passagem por Nova Déli.

A necessidade de ampliar cadeias de fornecimento de minerais críticos e terras raras se tornou central em disputas geopolíticas após a China restringir exportações desses produtos em 2025.

Segundo o geólogo Maurício Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Minerais Críticos, o Brasil pode se tornar protagonista em uma nova fase do mercado global, aproveitando suas reservas amplas e exploráveis de forma sustentável.

“O Brasil já tem um acordo muito avançado com a União Europeia em acordos bilaterais e multilaterais para minerais críticos, especificamente terras raras. Está avançando bastante com os Estados Unidos”, afirma Carvalho, destacando que o entendimento com a Índia deve focar no processamento de minerais brasileiros.

Na Índia, acordos de cooperação já são assinados há anos com ao menos oito países ricos em minerais, envolvendo trocas de tecnologia e abertura de espaço para a indústria indiana. O governo indiano planeja investir US$ 870 milhões até 2030 para expandir mineração, processamento e manufatura de terras raras.(Folhapress)


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