Internacional

Estados Unidos amplia presença militar e eleva tensão com o Irã no Oriente Médio

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 15:34 | Atualizado há 4 meses

 Porta-aviões e caças são deslocados em meio à tensão com o Irã | Foto: SAUL LOEB/AFP
Porta-aviões e caças são deslocados em meio à tensão com o Irã | Foto: SAUL LOEB/AFP

Apesar de declarações públicas indicando avanços diplomáticos para evitar um novo conflito no Oriente Médio, os Estados Unidos ampliou de maneira significativa sua presença militar na região nos últimos dias. A movimentação ocorre em meio ao aumento da tensão com o Irã e envolve o envio de meios aéreos e navais considerados estratégicos para uma eventual operação de grande escala.

Sob a administração do presidente Donald Trump, o reforço inclui dois grupos de porta-aviões destacados para áreas próximas ao Golfo. Entre eles está o USS Abraham Lincoln, que opera com cerca de 90 aeronaves embarcadas e escolta de destróieres. Ao todo, ao menos 12 navios de guerra norte-americanos estariam sob o comando do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio.

No campo aéreo, o deslocamento também foi expressivo. Entre segunda-feira (16) e quarta-feira (18), pelo menos 78 caças e aeronaves de ataque foram transferidos para bases sob jurisdição do Centcom. O número supera mais que o dobro do contingente anteriormente posicionado em três das principais instalações americanas na região. A operação logística foi acompanhada por intenso tráfego de apoio, 20 aviões-tanque KC-135 e KC-46 cruzaram o Atlântico em direção à Europa apenas na manhã da última quarta-feira (18), enquanto cargueiros C-17 mantiveram uma ponte aérea constante entre bases europeias e o Oriente Médio.

Além dos caças, aeronaves de comando e reconhecimento passaram a integrar o dispositivo militar. Seis aviões-radar E-3 foram posicionados na Europa, assim como ao menos uma unidade do U-2, modelo voltado a missões estratégicas de alta altitude. Esses equipamentos são considerados fundamentais para coordenar ações aéreas complexas, integrando caças, bombardeiros e aviões de ataque ao solo.

A composição da força deslocada inclui 36 F-16, 12 F-15, 12 F-22 e 18 F-35, segundo dados de monitoramento aéreo. Os dois últimos modelos pertencem à quinta geração e possuem tecnologia furtiva. O F-22, apontado como o caça mais avançado da frota americana, pode atuar em conjunto com bombardeiros estratégicos como o B-2, combinação que já foi empregada em ações anteriores contra alvos iranianos.

Analistas de defesa avaliam que o volume e o perfil dos equipamentos mobilizados indicam preparação para algo além de ataques pontuais. Uma eventual ofensiva, seguindo a doutrina operacional do Pentágono, começaria com o uso intensivo de mísseis de cruzeiro Tomahawk, lançados a partir de navios e submarinos posicionados nas proximidades do território iraniano. Estima-se que cerca de 600 unidades estejam disponíveis no teatro de operações.

O cenário reforça a percepção de que, embora negociações ainda estejam formalmente em curso, os Estados Unidos mantêm elevado grau de prontidão militar. A mobilização amplia a pressão sobre Teerã e eleva a tensão regional, diante do risco de uma escalada que poderia ultrapassar ataques localizados e evoluir para um confronto mais amplo.


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