Esportes

Promessa do taekwondo, Cauã Batista morre aos 18 anos após atropelamento no Rio

Léo Carvalho

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 10:28 | Atualizado há 5 meses

Cauã Batista tinha 18 anos, era segundo do ranking sub-21 do Rio e estava inscrito na Seletiva Aberta Nacional | Foto: Reprodução/Instagram
Cauã Batista tinha 18 anos, era segundo do ranking sub-21 do Rio e estava inscrito na Seletiva Aberta Nacional | Foto: Reprodução/Instagram

“Se eu marcasse um treino no Natal, ele estava lá. Sempre pontual e, às vezes, o único a ir. Comia tatame”. O trecho faz parte de uma homenagem publicada pelo técnico Luan Dias para Cauã Batista. O atleta morreu no último dia 24, aos 18 anos.

Cauã ficou internado por uma semana no Hospital Municipal Miguel Couto após ser vítima de atropelamento em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Durante o período de internação, familiares e amigos mobilizaram campanha de doação de sangue nas redes sociais.

Caminho do topo interrompido

O lutador, que treinava na Soares Team Taekwondo, ocupava a segunda colocação do ranking sub-21 do Rio de Janeiro. Ele estava inscrito para disputar a Seletiva Aberta Nacional, iniciada na quarta-feira (25), que seria a primeira participação dele na competição.

Em janeiro, participou de um período de treinos com Diego Ribeiro, técnico da seleção brasileira.

“Teve um dia, após um treino mais puxado, que ele passou mal. Depois de recuperado, brinquei com ele e, a partir daí, pegamos um pouco mais de intimidade. Foram alguns dias, mas vi que era um menino muito bom, educado, talentoso no taekwondo. Se destacou nos treinos”, afirmou Diego ao UOL.

“Durante esse período na clínica, se mostrou talentoso. Tinha um potencial muito grande, disciplinado, educado. Tinha os princípios que a arte marcial preza. Foi uma grande perda para o taekwondo, era uma promessa no esporte”, completou.

Manifestações entidades e governo

A morte gerou manifestações de entidades como a Confederação Brasileira de Taekwondo, o Ministério do Esporte e a União Pan-Americana de Taekwondo. Atletas da modalidade também publicaram mensagens nas redes sociais.

Nas homenagens feitas por amigos, a música “O show tem que continuar” foi recorrente. A canção, gravada pelo grupo Fundo de Quintal e também por Arlindo Cruz, era apontada como a favorita do atleta.

Cauã Batista era considerado uma promessa do taekwondo brasileiro | Foto: Reprodução/Instagram/@caua_batiista

Recentemente, Cauã havia comemorado a aprovação em Engenharia Ambiental na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Início no esporte e trajetória

Luan Dias relatou que Cauã começou no taekwondo aos oito anos, após insistir para participar das aulas.

“Foi meu primeiro aluno infantil. Neguei ele muitas vezes, porque na turma só tinha adulto e graduado. Como eu ia inserir uma criança em um contexto desses, e faixa branca? Se acontecesse algo, eu seria o responsável, e eu estava começando minha caminhada de professor. Até que, depois de muita insistência, deixei”, contou.

O técnico descreveu o atleta como “autodidata nato” e afirmou que ele aprendia movimentos por vídeos e aplicava nos treinos.

“Esse cara amava a vida como nunca vi ninguém amar. Era intenso em tudo que se propunha a fazer. A intensidade era a maior virtude dele, mas também era o que mais atrapalhava em campeonatos, porque queria sempre fazer coisas mirabolantes. Queria pular, girar. O negócio dele era lutar fazendo tudo que tinha direito. E eu avisava: ‘não dá para ser assim. Em competição é diferente’”, disse.

Persistência e liderança na equipe

Segundo Luan, Cauã comparecia aos treinos independentemente de datas e, com o tempo, tornou-se capitão da equipe de luta da Soares Team.

“Se eu marcasse treino no Natal, ele estava lá. Sempre pontual e, às vezes, o único a ir. Comia tatame. Ajudava do mais velho ao mais novo, do faixa branca ao faixa preta. Ficava uma hora explicando porque amava compartilhar conhecimento”, relatou.

O treinador destacou ainda a persistência do atleta.

“Foram 10 anos sem ganhar alguma coisa. Poderia ter largado, mas a paixão pela arte marcial falou muito alto. ‘Caramba, o moleque não desiste’. Não era o atleta mais famoso do Rio e nem do Brasil, mas era conhecido por todos do meio pela sua persistência, insistência e respeito pela arte marcial”, afirmou. (Alexandre Araújo/Folhapress)


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