Esportes

Demissão de Filipe Luís escancara desgaste de José Boto na diretoria do Flamengo

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 4 de março de 2026 às 14:54 | Atualizado há 3 meses

dirigente enfrenta pressão interna após saída de Filipe Luís | Foto: Reprodução/ESPN
dirigente enfrenta pressão interna após saída de Filipe Luís | Foto: Reprodução/ESPN

A saída de Filipe Luís do comando técnico do Clube de Regatas do Flamengo ampliou a pressão interna sobre o diretor de futebol do clube, José Boto. Nos bastidores do Ninho do Urubu, o dirigente já vinha sendo alvo de críticas relacionadas à postura e à condução do departamento, mas o desligamento do treinador tornou o ambiente ainda mais sensível.

Internamente, atletas e funcionários relatam incômodo com a postura vaidosa do dirigente e sobre a falta de diálogo mais próximo. Boto é apontado como o principal elo entre o futebol e o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, com quem fala diariamente.

Pressão interna e desgaste no Centro de Treinamento

Um dos principais focos de desgaste envolve relatos de postura ríspida no dia a dia do centro de treinamento. Funcionários afirmam que, a cada duas semanas, são orientados a comparecer à residência do dirigente, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, para realizar serviços de organização e limpeza, situação que gerou desconforto nos bastidores.

O Ninho do Urubu é um complexo de grande porte, com estrutura que inclui serviços internos semelhantes aos de hotelaria. Desde que chegou ao Brasil, no fim de 2024, para assumir o comando do futebol rubro-negro, o português passou a circular pelo CT acompanhado por três seguranças.

Algumas decisões operacionais também chamaram atenção. No início do aquecimento, seja como mandante ou visitante, o dirigente ocupa o banco de reservas e impede a circulação de pessoas à sua frente. Para isso, seguranças se posicionam nas laterais do banco. A postura é vista por integrantes do clube como um gesto de distanciamento.

A relação com o elenco é considerada fria e protocolar. O cenário se agravou após reunião realizada na última terça-feira (3) no CT, depois da demissão de Filipe Luís. No encontro, o dirigente destacou o papel dos jogadores no contexto que culminou na saída do treinador. Os atletas ouviram em silêncio, mas o episódio foi interpretado como mais um fator de tensão.

Do protagonismo em campo à pressão nos bastidores

O comportamento à beira do campo também gerou comentários. Depois de vitórias, Boto costuma cumprimentar os atletas no gramado. Na derrota para o Corinthians, na Supercopa do Brasil, ficou no túnel, fumando, enquanto a equipe saía de campo. A postura chamou atenção entre líderes do grupo.

A busca por protagonismo em imagens institucionais também é frequentemente mencionada nos bastidores. Integrantes do clube avaliam que o dirigente procura se posicionar de forma estratégica diante das câmeras em registros oficiais, comportamento descrito como “acima do normal”.

Apontado como profissional de perfil técnico, Boto enfrenta questionamentos na gestão de grupo. Há críticas sobre a dificuldade em antecipar conflitos cotidianos e em administrar processos de renovação contratual, que já provocaram desgastes com atletas. No vestiário, nomes experientes, como Jorginho, têm exercido papel relevante para manter o ambiente equilibrado e descontraído desde a chegada, em meados de 2025.

Apesar de manter boa relação com Filipe Luís, Boto participou do processo que culminou na saída do treinador. Coube a ele comunicar oficialmente a decisão após a coletiva concedida pelo técnico depois da partida contra o Madureira, no Maracanã. Enquanto ainda atendia a imprensa, Filipe recebeu mensagem de Bap orientando-o a conversar com o diretor ao término da entrevista.

Em reunião reservada no estádio, o treinador foi informado de que estava desligado, mesmo diante de tentativas de manutenção no cargo. O comunicado foi breve e deixou o técnico surpreso ao deixar o local.

José Boto também participou das conversas que encaminharam a chegada do técnico Leonardo Jardim. Embora ainda conte com o respaldo do presidente, o dirigente atravessa o momento mais delicado desde que assumiu o futebol rubro-negro, com pressão crescente nos bastidores e ambiente interno em ebulição.



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