Investigação revela suspeita de atuação paralela de servidores no caso Master
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 4 de março de 2026 às 17:00 | Atualizado há 3 meses
STF impõe tornozeleira a ex-dirigentes do BC em investigação bilionária | Foto: Reprodução
(Nathalia Garcia/Folhapress)
O Banco Central (BC) informou ter identificado indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores durante investigação interna sobre o caso Master. Em nota divulgada após a terceira fase da Operação Compliance Zero, a autarquia não cita nominalmente o ex-diretor Paulo Souza nem Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
Os dois servidores do BC foram alvos de operação de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal. Na mesma operação, Daniel Vorcaro foi preso. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que Souza e Santana utilizem tornozeleira eletrônica.
“De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, informou o BC.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o BC vem realizando uma revisão interna do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master, desde a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação da instituição, em novembro de 2025. Souza e Santana já haviam sido afastados de suas funções pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em janeiro.
A autoridade monetária também expressou “convicção” de que o trabalho realizado pela PF representa um “passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”. “Observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei”, complementou.
De acordo com decisão de Mendonça, Souza e Santana atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC, recebendo propina por isso. Entre os pagamentos mencionados está uma viagem à Disney feita pelo ex-diretor, cujo guia teria sido pago pelo dono do Master.
No caso de Souza, Mendonça aponta haver indícios de que ele intermediava ou auxiliava o Master em operações societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais interessados na compra de uma instituição financeira vinculada ao grupo de Daniel Vorcaro. O ex-diretor também teria atuado como interlocutor informal entre o banqueiro e agentes do mercado.
Já em relação a Belline Santana, o relatório do ministro do STF aponta contatos telefônicos com Vorcaro em diversas ocasiões, o que indicaria a intenção de evitar registros por escrito, além de encontros fora das dependências do BC. Nesses encontros, segundo a decisão, era discutido como o Banco Master deveria se posicionar diante das cobranças da autoridade monetária.
A decisão aponta ainda que Santana revisava documentos e comunicações do Master que seriam enviados ao BC, o que seria incompatível com o cargo que ocupava na autarquia.