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Pai é indiciado por intolerância religiosa após chamar polícia em escola de SP

Léo Carvalho

Publicado em 5 de março de 2026 às 12:26 | Atualizado há 4 meses

Caso começou após pai de aluna chamar a polícia ao ver atividade escolar com desenho da orixá Iansã em escola municipal de São Paulo
Foto: Cedido ao UOL
Caso começou após pai de aluna chamar a polícia ao ver atividade escolar com desenho da orixá Iansã em escola municipal de São Paulo Foto: Cedido ao UOL

O pai que chamou a polícia após a filha de 4 anos fazer um desenho da orixá Iansã em uma escola municipal de São Paulo foi indiciado pela Polícia Civil por intolerância religiosa. O caso foi investigado pelo 34º Distrito Policial, na Vila Sônia.

O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em fevereiro. As autoridades não divulgaram o nome do indiciado. O homem é policial militar, segundo apuração jornalística. A defesa dele não foi localizada para comentar o caso.

O episódio ocorreu no início de novembro de 2025 na Escola Municipal de Ensino Infantil Antônio Bento, no bairro do Caxingui, zona oeste da capital paulista.

Após ligação do pai da criança, quatro policiais militares entraram armados na unidade escolar. Um dos agentes portava arma de grosso calibre. Segundo relatos de professores e pais de alunos, os policiais afirmaram que a criança estaria sendo obrigada a participar de uma “aula de religião africana”.

Funcionários e responsáveis por estudantes relataram que a atuação foi hostil. A reclamação do pai era de que a filha estava recebendo ensino religioso diferente da religião da família.

Crianças presenciaram a ocorrência

A movimentação ocorreu durante o período escolar e foi presenciada por alunos. De acordo com representante do conselho de pais da escola, algumas crianças demonstraram medo com a presença dos policiais.

Ele relatou que o próprio filho, de cinco anos, pediu explicações ao chegar em casa. No dia seguinte, estudantes comentaram “polícia de novo” ao ver o pai retornar à escola.

Um dia antes de chamar a polícia, o pai foi até a escola e rasgou um mural com desenhos feitos pelas crianças. As artes representavam entidades da cultura africana, segundo relato da direção da unidade.

Atividade foi inspirada em livro sobre cultura afro-brasileira | Foto: Reprodução/Google Street View

A direção informou que havia convidado o pai para uma reunião para esclarecer dúvidas sobre a atividade pedagógica. Ele não compareceu e posteriormente acionou a Polícia Militar.

Após o episódio, a diretora da escola solicitou licença médica do cargo. Na época, ela afirmou que se sentia ameaçada diante da repercussão do caso.

Segundo a diretora, o conteúdo apresentado em sala estava em conformidade com as diretrizes do ensino municipal.

Conteúdo faz parte do currículo

A Secretaria Municipal de Educação informou que a atividade fazia parte da proposta pedagógica da escola. O ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena integra o currículo obrigatório da rede municipal.

Os desenhos produzidos pelas crianças foram inspirados no livro “Ciranda de Aruanda”, de Liu Oliveira. A obra apresenta personagens baseados em orixás por meio de ilustrações lúdicas que representam elementos da cultura afro-brasileira.

De acordo com a direção da escola, a atividade tinha caráter educativo e não estava relacionada a ensino religioso.

Além do inquérito civil, o episódio também é apurado em um Inquérito Policial Militar. O procedimento analisa a atuação dos policiais que entraram armados na escola.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, estão sendo analisadas imagens das câmeras corporais dos agentes e colhidos depoimentos dos envolvidos.


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