Entenda por que mogno de 70 anos derrubado em Goiânia ficará com família de polonês
Redação Online
Publicado em 8 de março de 2026 às 18:13 | Atualizado há 3 meses
No ofício, a família afirma que não há interesse patrimonial ou econômico na madeira | Foto: Reprodução
A decisão foi tomada por conta da remoção do mogno, iniciada neste sábado (07/03), e que deve ser concluída só no próximo sábado (14/03), em frente à Casa da Memória da Justiça Federal, no Centro de Goiânia. A retirada ocorre após laudos técnicos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) apontarem risco estrutural e iminente de queda do exemplar, que se tornou um dos símbolos mais conhecidos da arborização da região central da capital. No despacho, a Comurg também registra que outro 1 metro cúbico do material já foi destinado à UFG por decisão da Justiça Federal.
No documento enviado por Darô, ele sustenta que a árvore remonta a 13 de maio de 1957, quando estudantes da então Faculdade de Direito plantaram, na Rua 20, a muda enviada por seu avô. Segundo o texto, Boleslaw se notabilizou pela defesa do mogno brasileiro após denunciar a exploração predatória da espécie na região de Araguatins, então parte do Estado de Goiás.
No ofício, a família afirma que não há interesse patrimonial ou econômico na madeira. A intenção, segundo o requerimento, é transformar parte do tronco em peça memorial capaz de preservar a lembrança de Boleslaw Daroszewski e do gesto que deu origem ao plantio da árvore, além de manter viva a ligação afetiva e histórica do mogno com Goiânia.

Sobre o destino da madeira, a família ainda não definiu como irá armazenar o material, mas já trabalha com a ideia de transformá-lo em obra de caráter artístico ou memorial. “A ideia é fazer alguma coisa relacionada à arte, sobre esse mogno”, disse ao Jornal Opção.
No pedido encaminhado à Comurg, Darô também manifestou disposição da família em colaborar com o plantio de novos exemplares na capital, como forma de renovar simbolicamente o ciclo iniciado com a muda enviada por Boleslaw há quase sete décadas. O documento afirma que a solicitação apresentada à companhia tem natureza “exclusivamente simbólica, memorial e cultural”, apoiada em documentação histórica e na repercussão pública do caso.
A remoção do mogno deve se estender até este domingo (08/03), com bloqueios na Rua 20 e atuação de mais de 50 profissionais da Comurg. Conforme divulgado pelas autoridades, parte do tronco será preservada para instituições ligadas à história do exemplar, enquanto o restante do material passará por avaliação para eventual reaproveitamento em mobiliário público ou compostagem. Como compensação ambiental, a previsão é de plantio de 50 mudas de espécies nativas em diferentes áreas de Goiânia.