Erika Hilton aciona MP, pede R$ 10 milhões e prisão de Ratinho por transfobia
Redação
Publicado em 12 de março de 2026 às 12:39 | Atualizado há 3 meses
Erika Hilton não deixou barato e soltou o verbo contra Carlos Roberto Massa, mais conhecido como Ratinho. No programa da última quarta-feira (11), o apresentador do SBT fez alguns comentários tranfóbicos contra a deputada do PSOL-SP.
Ao vivo, o comunicador não gostou do fato dela ter sido eleita como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. “Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, disparou.
“Mulher para ser mulher precisa ter útero, tem de menstruar, tem de ficar chata três ou quatro dias. Vocês pensam que a dor do parto é fácil?”, acrescentou. Para tentar “amenizar” a situação, Ratinho ainda declarou que não tem “nada contra” a deputada: “Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”.
Resposta
Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal e pediu a abertura de uma ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti. “Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas. Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada. A raça, a classe, o CEP e tantas outras condições ainda definem, quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade”, iniciou.
Sem papas na língua, a deputada chamou o famoso de “esgoto da sociedade”. “Por isso, hoje ocupei com honra, alegria e um sabor muito especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher (uma vitória construída enfrentando e derrotando o centrão e a extrema direita). E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação . Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social”, declarou.
“E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar. Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher. E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui. E agora faremos um debate sobre todas as mulheres porque somente unidas podemos frear a violência que nos assola”, finalizou ela
Além disso, Erika pede que Ratinho e o SBT veiculem retratação em horário e duração equivalente ao da fala considerada discriminatória.