Política

Márcio Elias Rosa deve assumir ministério após saída de Alckmin

Léo Carvalho

Publicado em 12 de março de 2026 às 14:40 | Atualizado há 3 meses

Vice-presidente Geraldo Alckmin deixará o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em abril por causa do prazo da legislação eleitoral | Foto: úlio César Silva/MDIC
Vice-presidente Geraldo Alckmin deixará o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em abril por causa do prazo da legislação eleitoral | Foto: úlio César Silva/MDIC

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, deve assumir o comando da pasta após a saída do ministro Geraldo Alckmin, segundo integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Alckmin já anunciou que deixará o ministério no dia 4 de abril. A data corresponde ao prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar eleições.

Embora ainda não tenha confirmado qual cargo pretende disputar, o partido de Alckmin, o Partido Socialista Brasileiro, articula para mantê-lo na chapa presidencial de Lula. Pela lei eleitoral, ele pode continuar como vice-presidente, mas precisa deixar o comando do ministério.

De acordo com interlocutores do governo, ainda não está definido quem substituirá Márcio Elias Rosa na secretaria-executiva da pasta. A tendência é que o cargo seja ocupado por um integrante do próprio ministério.

Intertítulo: Política industrial marcou gestão

Durante sua passagem pelo ministério, Alckmin liderou a formulação da nova política industrial do país. O programa Nova Indústria Brasil foi lançado em janeiro de 2024 como uma das promessas de campanha do presidente Lula para impulsionar o setor industrial.

O plano foi inicialmente alvo de críticas, inclusive do próprio presidente, que apontou ausência de metas concretas. Após o lançamento, o governo estabeleceu objetivos intermediários até 2026 e passou a monitorar a execução do programa.

Dividido em seis missões — agroindústria, saúde, infraestrutura, digitalização, bioeconomia e defesa — o programa previa originalmente investimentos de R$ 300 bilhões. Em fevereiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ampliou em R$ 70 bilhões sua meta de financiamento para o setor.

Até o último trimestre de 2025, o programa registrava desembolso de R$ 588 bilhões em cerca de 406 mil projetos. Infraestrutura concentrou 43% dos recursos, seguida por agroindústria, com 21%, e transformação digital, com 16%.

Intertítulo: Atuação em negociações internacionais

Alckmin também ganhou protagonismo no governo como articulador das negociações envolvendo tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil durante o governo do presidente Donald Trump.

O vice-presidente conduziu reuniões com empresários e autoridades americanas, incluindo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. As negociações resultaram em uma lista de exceções às tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros, abrangendo cerca de 43% do valor exportado pelo Brasil ao mercado americano.

No campo comercial, a gestão também registrou avanços com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, negociação que se arrastava por duas décadas e foi aprovada pelo Congresso Nacional.

O bloco sul-americano também firmou acordos com a Associação Europeia de Livre Comércio e com Singapura, além de retomar tratativas comerciais com o Canadá e avançar em negociações com os Emirados Árabes Unidos.

Intertítulo: Disputas no setor automotivo

A gestão de Alckmin no ministério também foi marcada por disputas no setor automotivo. O debate envolveu incentivos a veículos elétricos e híbridos e medidas para estimular a descarbonização da indústria.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores pressionou o governo diante do crescimento da presença de montadoras chinesas no mercado brasileiro, como BYD e Great Wall Motor.

No início de 2025, as duas empresas respondiam por cerca de 80% do mercado de veículos eletrificados no país, com modelos importados. Ambas anunciaram posteriormente fábricas no Brasil, em Camaçari, na Bahia, e em Iracemápolis, no interior de São Paulo.

Como resposta às disputas do setor, o governo definiu um cronograma gradual de aumento de tarifas de importação para carros elétricos e híbridos.

Intertítulo: Recuo em imposto de eletrônicos

Outro episódio recente envolveu a decisão da Câmara de Comércio Exterior de elevar o imposto de importação para produtos de informática e bens de capital.

Após repercussão negativa, o governo recuou em relação a 15 itens, entre eles notebooks e smartphones, que voltaram às alíquotas anteriores. Integrantes do próprio governo avaliaram que a elevação do imposto sobre celulares em ano eleitoral gerou desgaste político. (NATHALIA GARCIA E MARCOS HERMANSON/Folhapress)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia