Apoio ao fim da escala 6×1 cresce no Brasil enquanto Congresso tenta adiar votação
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 16 de março de 2026 às 16:06 | Atualizado há 3 meses
Audiência discute fim da escala 6x1 com apoio de 71% da população | Foto: Letycia Bond/Agência Brasil
A audiência que discutirá o fim da escala 6×1 acontecerá nesta segunda-feira (16), às 14h, no plenário 1. Enquanto parlamentares do centro e da direita tentam adiar a votação para o fim do ano, o apoio ao término desse modelo de jornada de trabalho cresceu entre a população brasileira.
A proposta está prevista na PEC 221/2019, que trata da redução da jornada semanal de trabalho. Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada em março, 71% dos brasileiros apoiam a proposta. Em 2024, o índice era de 67%.
A rejeição à medida também caiu. Atualmente, 27% da população se dizem contrários à proposta, ante 33% registrados na pesquisa realizada em 2024.
Impacto econômico divide opiniões
Apesar do aumento do apoio popular, parte da população demonstra preocupação com os possíveis efeitos da mudança. De acordo com o levantamento, 39% dos entrevistados avaliam que a redução da jornada pode ter impactos negativos na economia.
O Luiz Marinho afirmou que é possível reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e adotar a escala 5×2 sem corte de salários, mantendo dois dias de descanso remunerado.
Debate tem impacto político
O tema também ganhou dimensão política. O Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio à proposta ainda em 2025.
Segundo aliados do governo, parlamentares de direita e do centrão tentam adiar a votação para depois das eleições. A avaliação é que uma eventual aprovação da proposta poderia beneficiar eleitoralmente candidatos da esquerda.
A Erika Hilton, autora da proposta, é apontada como uma das principais defensoras da medida no Congresso.
Direita articula contraproposta
Em paralelo, setores da direita articulam uma contraproposta que não reduziria a jornada semanal nem alteraria a escala atual de trabalho. A ideia seria atualizar pontos da reforma trabalhista aprovada na Reforma Trabalhista de 2017 no Brasil, ampliando a possibilidade de negociação direta entre trabalhadores e empresas sobre aspectos da legislação trabalhista.