Conta de luz deve subir acima da inflação em 2026 e pressiona orçamento das famílias
Redação Online
Publicado em 17 de março de 2026 às 16:26 | Atualizado há 3 meses
Cerca de metade do reajuste decorreu do crescimento dos subsídios embutidos na conta de luz
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicou que a conta de luz terá aumento médio de 8% em 2026, percentual superior ao dobro da inflação prevista. Os primeiros reajustes do ano já confirmaram a tendência de alta em diferentes regiões do país.
Os aumentos iniciais apresentaram forte variação. Em Roraima, a alta média alcançou 23,2%. No Rio de Janeiro, consumidores atendidos pela Enel enfrentaram reajuste de 14,2%, enquanto clientes da Light tiveram elevação de 6,9%.
Cerca de metade do reajuste decorreu do crescimento dos subsídios embutidos na conta de luz, financiados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O mecanismo deve custar R$ 52 bilhões em 2026 e inclui incentivos a energias renováveis e benefícios tarifários para consumidores de baixa renda. O cenário de chuvas abaixo da média levou à previsão de maior uso de usinas térmicas, que possuem custo mais elevado. Esse fator contribuiu para pressionar ainda mais as tarifas ao longo do ano.
A privatização da Eletrobras, agora chamada Axia, também influenciou os preços. Parte da energia, antes vendida a valores mais baixos por meio de contratos antigos, passou a ser comercializada a preços de mercado, com redução gradual das cotas até 2027.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a propor mudanças para reduzir os subsídios no setor elétrico. No entanto, diante de pressões políticas, a proposta foi parcialmente abandonada e deu lugar à criação de novos programas, como o Luz do Povo.
A Aneel informou que recursos públicos serão utilizados para garantir descontos a consumidores de regiões atendidas pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia e pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, ampliando o impacto regional das políticas tarifárias.
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