Internacional

Ataque de Israel a campo de gás no Irã eleva tensão e ameaça fornecimento global

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 18 de março de 2026 às 16:56 | Atualizado há 3 meses

Ação em megacampo de gás provoca reação iraniana e pressiona aliados dos EUA no Golfo | Foto:  AP Photo/Vahid Salemi
Ação em megacampo de gás provoca reação iraniana e pressiona aliados dos EUA no Golfo | Foto: AP Photo/Vahid Salemi

(Folhapress/Igor Gielow)

O ataque de Israel à infraestrutura do maior campo de exploração de gás natural do mundo, no Irã, gerou queixas de países árabes aliados dos Estados Unidos, especialmente nações do Golfo Pérsico, que passaram a ser ameaçadas com uma retaliação igualmente inédita de Teerã contra instalações energéticas.

A escalada começou com o bombardeio das Forças de Defesa de Israel contra instalações ligadas ao megacampo de Pars Sul nesta quarta-feira (18), que até então haviam sido alvo apenas de ações esporádicas.

A região, localizada no meio do golfo, é explorada em conjunto pelo Irã e pelo Qatar, que detém acesso a 60% das reservas, em uma área denominada Domo Norte. Teerã é a maior produtora local da commodity, quase toda comprada pela China.

Houve incêndio em estações de processamento de gás, controlado após horas. Antes disso, Tel Aviv havia matado o homem-forte do regime islâmico, Ali Larijani, e um importante comandante militar, o que levou a uma onda de retaliação mais intensa contra Israel e países do golfo.

Escalada e ameaças inéditas

Na sequência, o Irã lançou uma ameaça até então inédita: listou uma refinaria e uma petroquímica da Arábia Saudita, um campo de gás dos Emirados Árabes Unidos e três complexos do Qatar.

Até o momento, apenas os sauditas foram alvejados com mísseis balísticos e drones, que, segundo autoridades locais, foram interceptados. Já os qataris evacuaram algumas das unidades petrolíferas ameaçadas pelo Irã, em mais um degrau na escalada retaliatória de Teerã, que foi alvo de ataque não provocado pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro.

Pressão sobre aliados e impacto regional

O ataque de Tel Aviv gerou queixas dos Emirados, da Arábia Saudita e de Omã, que afirmam que a ação coloca em risco o comércio global de gás natural. Até então, esses países criticavam apenas as ações do Irã, devido aos acordos de defesa que mantêm com Washington.

Segundo a mídia israelense, a operação ocorreu sem o consentimento dos EUA. O governo do premiê Binyamin Netanyahu tem intensificado as operações militares, incluindo o anúncio de uma política aberta de assassinato de lideranças iranianas, possivelmente para manter o ritmo da guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem feito declarações contraditórias, o que, segundo analistas israelenses, leva Netanyahu a dobrar a aposta no confronto direto com o regime iraniano.

Até agora, a expectativa inicial de uma revolta popular para derrubar o governo iraniano não se concretizou.

Tensão cresce no Golfo

A crítica dos países árabes chama atenção porque são eles os mais atingidos pela retaliação iraniana. Ainda não é possível afirmar que há ruptura no apoio aos EUA, mas os cálculos estratégicos parecem ter mudado.

Isso aumenta o isolamento de Washington, que viu aliados europeus na Otan e na Ásia recusarem apoio a uma força-tarefa naval para garantir o escoamento de energia pelo estreito de Hormuz.

No começo da noite (tarde no Brasil), pela primeira vez, alertas de ataque aéreo foram enviados aos celulares de moradores de Riad, capital saudita. Até então, os ataques no país se concentravam em campos petrolíferos e instalações militares.

Por ora, os preços do gás registram leve alta, enquanto os do petróleo seguem em elevação mais consistente, superando a marca de US$ 107.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia