Câmara de Goiânia lança campanha contra exploração sexual de crianças no MotoGP
Léo Carvalho
Publicado em 20 de março de 2026 às 14:02 | Atualizado há 3 meses
Campanha da Câmara Municipal distribui materiais educativos e instala outdoors em pontos estratégicos da capital | Foto: br.freepik.com/Ascom
Às vésperas do MotoGP, um dos maiores eventos automobilísticos do mundo, a Câmara Municipal de Goiânia colocou em prática uma campanha voltada ao enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes, além da prevenção à gravidez na adolescência e às doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.
A ação foi motivada por denúncias de profissionais do sexo que relataram a organização de uma rede de exploração voltada a turistas estrangeiros, incluindo a contratação de intérpretes bilíngues em casas noturnas da cidade. A situação acendeu um alerta sobre o risco iminente a populações vulneráveis.
Ação da Justiça e fiscalização intensificada
Diante da gravidade das denúncias, a Câmara enviou ofício ao 1º Juizado da Infância e da Juventude de Goiânia. A juíza Maria Socorro de Sousa Afonso da Silva determinou intensificação das fiscalizações em pontos críticos da cidade.
Durante o evento, a Divisão de Agentes de Proteção do Juizado atua em regime de plantão, inspecionando hotéis, motéis, bares, o Autódromo e demais locais de grande circulação. A medida reforça a necessidade do alerta feito pela Câmara, diante da ausência de ação urgente por parte da Prefeitura.
Campanha estratégica com foco racial e de gênero
A Câmara produziu material educativo que será distribuído em hotéis, bares e restaurantes, além de 20 outdoors espalhados pela cidade. A iniciativa conta com o apoio da Ouvidoria Especial de Combate a Crimes Raciais e de Intolerância e das organizações que compõem a Rede de Proteção.

A campanha reconhece que mulheres negras, travestis e mulheres trans são as principais vítimas de exploração sexual em grandes eventos. O objetivo é sensibilizar empresários e frequentadores sobre a gravidade do crime e a importância da denúncia.
Rede de Proteção assume protagonismo
A ação rápida do legislativo se apoia na experiência do vereador Fabrício Rosa, policial rodoviário federal e integrante da Rede de Proteção a Crianças e Adolescentes de Goiás desde 2005. A rede articula órgãos do poder público e da sociedade civil e alerta que grandes concentrações de turistas aumentam os casos de exploração sexual, tráfico de pessoas e gravidez na adolescência.
Com a Prefeitura sem medidas concretas, a Câmara, por meio da Rede, visitou sindicatos de hotéis e a Abrasel para garantir o cumprimento da lei e ampliar a fiscalização.
Denúncia anônima
A população pode colaborar com a campanha denunciando suspeitas de violação de direitos de crianças e adolescentes pelos seguintes canais:
- Disque 100 (Direitos Humanos)
- 190 (Polícia Militar)
- 3286-1540 ou 197 (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente – DPCA)
- Conselhos Tutelares – Plantões:
- Centro Sul/Leste/Norte: (62) 99210-5071
- Oeste/Campinas/Noroeste: (62) 99208-5059
- Alternativo: 62 99507-4487
- Ouvidoria de Crimes Raciais e de Intolerância: [email protected]
