Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio antes de julgamento no TSE
Léo Carvalho
Publicado em 24 de março de 2026 às 08:49 | Atualizado há 4 meses
Cláudio Castro oficializou a renúncia ao governo do Rio de Janeiro às vésperas de julgamento no TSE que análisa cassação da chapa | Foto: Fernando Frazão
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), formalizou nesta segunda-feira (23/3) a renúncia ao cargo. A decisão foi oficializada por meio de carta entregue à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), encerrando de forma antecipada o mandato conquistado nas eleições de 2022.
A saída ocorre em um momento decisivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde estava prevista a retomada do julgamento que analisa a possibilidade de cassação da chapa eleita. A ação investiga supostas irregularidades durante o processo eleitoral, incluindo indícios de abuso de poder político e econômico.
Com a renúncia, o cenário jurídico do caso pode sofrer alterações, uma vez que o julgamento tinha como foco a permanência do então governador no cargo. Ainda assim, especialistas apontam que o TSE pode dar continuidade à análise, principalmente no que diz respeito à inelegibilidade e eventuais sanções.

A mudança também tem impacto imediato na condução administrativa do Estado. Com a vacância do cargo, a linha sucessória prevista na Constituição estadual é acionada, transferindo o comando do Executivo ao vice-governador Thiago Pampolha (MDB), que passa a responder pela gestão em um período considerado sensível tanto do ponto de vista político quanto institucional.
Nos bastidores, a decisão é interpretada como uma tentativa de reduzir os efeitos de uma eventual condenação no TSE, evitando a cassação formal do mandato. A estratégia, no entanto, não impede que outras consequências jurídicas sejam aplicadas, caso o tribunal entenda que houve irregularidades comprovadas no processo eleitoral.
A estratégia de renúncia ocorre em um momento de instabilidade política no estado do Rio de Janeiro, que, nos últimos anos, já registrou sucessivas mudanças no comando do governo estadual. A saída antecipada de Castro reforça esse histórico e abre um novo capítulo na política fluminense, com possíveis desdobramentos tanto na esfera eleitoral quanto administrativa.