PSD deve oficializar Caiado como candidato à Presidência por unanimidade na próxima segunda (30)
Léo Carvalho
Publicado em 25 de março de 2026 às 16:18 | Atualizado há 2 meses
Após desistência de Ratinho Júnior, Caiado surge como principal opção do PSD para disputa presidencial | Foto: Divulgação
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), evitou confirmar oficialmente nesta quarta-feira (25) que foi escolhido pelo PSD como candidato à Presidência da República, embora aliados próximos indiquem que a decisão já tenha sido tomada. Em entrevista coletiva em Goiânia, ele afirmou que a expectativa é de que o anúncio oficial seja feito na próxima semana, possivelmente na segunda-feira (30).
O fortalecimento da candidatura de Caiado ocorre após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que era apontado como favorito interno do partido. Ratinho optou por permanecer à frente do governo paranaense e focar na sucessão estadual, abrindo espaço para que Caiado se consolidasse como a principal opção do PSD na corrida presidencial.
Nos bastidores, integrantes da sigla afirmam que a comissão política do PSD, coordenada pelo presidente nacional Gilberto Kassab, já teria fechado apoio ao governador de Goiás, restando apenas a formalização do anúncio. O ex-senador e ex-governador de Santa Catarina, Jorge Bornhausen, membro da comissão, declarou que a escolha de Caiado foi unânime.
Questionado sobre a possibilidade de enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual confronto nacional, Caiado se posicionou como candidato “independente”, reforçando sua trajetória política de mais de 40 anos. “O Lula é dependente da corrupção e do narcotráfico. O Flávio é dependente do nome do pai dele. Qual é o único que é independente no Brasil? Só eu. Então o candidato independente, só eu”, afirmou.
O governador também destacou sua experiência no Congresso Nacional, com seis mandatos somados entre deputado federal e senador, e ressaltou sua atuação em defesa da agricultura em períodos em que o setor não recebia atenção nacional. “Quando a agricultura não era ‘pop’ nem ‘tech’, só tinha o Caiado para defender o setor quando era o patinho feio”, disse.
Sobre alianças regionais, Caiado afirmou que não enxerga dificuldades, mesmo em Estados onde o PSD mantém aproximação com partidos de esquerda. Ele acrescentou que as eleições não devem ser tratadas como revanche pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando houve invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília.
Enquanto Caiado se consolida como opção principal, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, permanece como alternativa presidencial dentro do PSD. Kassab manteve contatos nesta quarta-feira com ambos os governadores, mas evitou antecipar o posicionamento oficial do partido. Segundo integrantes da legenda, Caiado conseguiu se destacar nacionalmente e, após a desistência de Ratinho Júnior, tornou-se a escolha natural do PSD para a corrida presidencial.
A decisão do partido evita um confronto direto com o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e mantém o PSD alinhado para atuar em estados estratégicos sem comprometer a gestão local dos governadores que concorrem. Ratinho Júnior justificou sua desistência afirmando que sua permanência no governo é essencial para garantir a continuidade do projeto político em seu estado e fortalecer seu grupo contra possíveis adversários, incluindo Sergio Moro, que se filiou ao PL para disputar o governo do Paraná.