Economia

Dólar sobe com tensão entre Israel e Irã e incertezas no mercado global

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 27 de março de 2026 às 11:31 | Atualizado há 4 meses

Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo e eleva incertezas econômicas | Foto: Reprodução
Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo e eleva incertezas econômicas | Foto: Reprodução

O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (27) com os investidores acompanhando mais um dia de ataques entre Israel e Irã, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que adiou por 10 dias o ultimato antes de atacar o sistema energético iraniano.

Às 9h08, a moeda norte-americana subia 0,33%, cotada a R$ 5,2750. Na quinta-feira (26), o dólar fechou em alta de 0,69%, a R$ 5,255, e a Bolsa caiu 1,45%, a 182.732 pontos.

As movimentações tiveram como pano de fundo temores sobre a guerra no Irã e a manutenção do bloqueio no estreito de Hormuz, via por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

“O mercado acompanha o desencontro de notícias: ora o cessar-fogo está avançando, ora não está. Isso traz muita incerteza e volatilidade, o que explica a realização desta sessão”, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Dólar opera em alta com tensão geopolítica e impacto no mercado internacional | Foto: Reprodução



Conflito e petróleo elevam pressão econômica global

Em mais um sinal de que a conflito está longe de um desfecho, Israel afirmou ter matado o chefe do braço naval da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, responsável por coordenar a militarização e o bloqueio do estreito de Hormuz.

A informação foi dada nesta quinta pelo ministro Israel Katz (Defesa) e ainda não foi confirmada pelo Irã.

Tangsiri cuidava da tática da teocracia em relação a Hormuz. Os iranianos vetam a passagem de navios considerados associados aos inimigos, ameaçando explodi-los, e provavelmente minaram parte da região.

Com mais de 90% do tráfego interrompido, os preços do petróleo dispararam e voltaram a superar US$ 100 o barril na quinta. O repasse para combustíveis, e o possível repique inflacionário em decorrência disso, tem elevado a pressão econômica sobre o presidente Donald Trump a poucos meses da eleição de meio de mandato.

O republicano tem buscado acalmar o mercado com anúncios de negociações que Teerã ora nega, ora afirma que são recados indiretos passados por terceiros. Mas existe um movimento mínimo em curso, que fez a chancelaria chinesa dizer nesta quinta que há “um vislumbre de esperança” para a paz.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os negociadores iranianos estão “implorando” por um acordo.

“Eles estão ‘implorando’ para que façamos um acordo, o que deveriam estar fazendo, já que foram militarmente aniquilados, sem nenhuma chance de recuperação, e ainda assim declaram publicamente que estão apenas ‘analisando nossa proposta’. ERRADO!!! É melhor que levem isso a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será nada bonito!”, escreveu.

Autoridades do governo americano também afirmaram que os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra. Segundo o jornal The New York Times, a proposta incluiria o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do apoio a grupos aliados como o Hezbollah, que atua no Líbano, e a reabertura do estreito de Hormuz.

O Irã voltou negar quaisquer negociações entre os países. Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari disse, na quarta, que uma trégua não está no horizonte.

“Esse ambiente tende a favorecer a saída de capital de mercados emergentes, valorizando o dólar”, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.

Na visão do J.P. Morgan, o cenário do Brasil permanece positivo, se beneficiando mesmo com a instabilidade global. “Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um ‘porto seguro’ e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado. Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês.”

Por aqui, dados de inflação do IPCA-15 foram destaque na agenda. O indicador desacelerou a 0,44% em março, após subir a 0,84% em fevereiro, resultado que veio acima da projeção de 0,29% de analistas do mercado financeiro. No acumulado de 12 meses, o movimento também foi de desaceleração. O IPCA-15 desacelerou a 3,9% até março, após marcar 4,1% até fevereiro.

Por ser divulgado antes, o IPCA-15 sinaliza uma tendência para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação do Brasil.

“O dado ainda não reflete totalmente a piora no cenário internacional devido ao conflito no Irã. Os combustíveis recuaram 0,03% em março, mas no IPCA cheio devemos observar uma pressão inflacionária mais significativa vindo da gasolina”, diz André Valério, economista sênior do Inter.

“Vemos o processo inflacionário caminhando em direção à meta e consistente com o início do ciclo de flexibilização da política monetária. Esperamos que o Copom continue cortando a Selic, com a magnitude dependendo da evolução do conflito. Por ora, esperamos que o Copom corte novamente em 0,25 ponto percentual na reunião de maio.”

No Relatório de Política Monetária divulgado pela manhã, o Banco Central do Brasil projeta que a inflação vai subir até o fim de 2026 e, apesar da perspectiva de queda depois disso, seguirá acima da meta central de 3% até pelo menos o terceiro trimestre de 2028.

A projeção para o IPCA fechado do ano subiu para 3,9%, ante 3,5%, sobretudo pelo aumento dos preços do petróleo.

(Folhapress)


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