Caiado é lançado à Presidência, mas enfrenta divisão interna no PSD
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 31 de março de 2026 às 17:16 | Atualizado há 2 meses
Ronaldo Caiado é lançado pré-candidato à Presidência pelo PSD, mas enfrenta falta de apoio interno do partido em diferentes estados | Foto: Sérgio Lima/Poder360
Lançado à Presidência pelo PSD com o mote de acabar com a polarização do país, Ronaldo Caiado precisará antes unificar seu próprio partido, com alas já divididas entre o apoio a Lula (PT), a Flávio Bolsonaro (PL) e a Romeu Zema (Novo).
O próprio ato de divulgação da pré-candidatura contou com poucas lideranças de fora de São Paulo, onde ocorreu o evento, e foi ignorado nas redes sociais de todos os 13 pré-candidatos da sigla aos governos estaduais e pela maioria dos atuais governadores.
A falta de apoio público reforça a percepção, dentro da legenda, de que Caiado terá espaço para disputar, mas pouco empenho de políticos de fora de Goiás, onde é governador. Esse cenário só deve mudar, afirmam nos bastidores, se ele começar a crescer nas pesquisas de intenção de voto.
Apoio tímido dentro do partido
Dos sete governadores do partido (incluindo o próprio Caiado), quatro não fizeram qualquer comentário em suas redes sociais. Eduardo Leite, que disputava a indicação, gravou um vídeo para dizer que a decisão do PSD “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”.
“Embora essa decisão me desaponte, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir”, afirmou no vídeo. “Eu acredito em um outro caminho, acredito num centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência.”
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Ratinho Junior, que era o favorito para assumir a candidatura presidencial pelo PSD e desistiu para permanecer no Governo do Paraná e tentar eleger seu sucessor, foi o único governador do partido a usar suas redes sociais para divulgar, nesta segunda (30), a candidatura de Caiado. Afirmou que a “legenda apostou em um homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo em áreas vitais como educação e segurança”.
Aliados, no entanto, afirmam que ele tem indicado, nos bastidores, a intenção de montar um palanque duplo no estado e apoiar também Flávio Bolsonaro, para evitar a migração dos votos da direita para a candidatura ao governo do senador Sergio Moro (PL). Cotado como candidato de Ratinho, o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), não comentou o lançamento da candidatura de Caiado em suas redes sociais.
Alianças divergentes entre governadores
O partido tem ainda como governadores Marcos Rocha (Rondônia), Raquel Lyra (Pernambuco), Fábio Mitidieri (Sergipe) e Mateus Simões (Minas Gerais).
Raquel foi eleita pela oposição ao PT, mas, desde que assumiu o mandato, tenta obter apoio do presidente Lula para reduzir a força do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Ela trocou o PSDB pelo PSD justamente para se aproximar do petista e tem aval da direção do partido para se manter neutra na disputa nacional.
Outro que já recebeu autorização para não fazer campanha por Caiado é Mitidieri, único governador eleito pelo PSD em 2022 que disputará a reeleição (os demais ingressaram no partido ao longo do mandato). O governador já afirmou publicamente que apoiará a reeleição de Lula, também de olho no apoio do presidente entre os nordestinos.
Mateus Simões, por outro lado, fará campanha por Zema, de quem era vice-governador até a semana passada. Em entrevista à reportagem há duas semanas, Simões afirmou que Zema e Kassab apostam que a candidatura de Flávio pode repetir um movimento que deu errado em 2022, levando eleitores a buscarem um terceiro nome. “Acho que é essa a leitura do Kassab, e é por isso que ele não se importa em dar liberdade para os governadores e eu aqui apoiar o Zema”, disse.
Dos 13 pré-candidatos do PSD aos governos estaduais, parte já está comprometida com outros presidenciáveis. O senador Omar Aziz, que concorrerá ao Governo do Amazonas, é próximo de Lula. O PT também negocia apoio aos candidatos do PSD em Mato Grosso e no Maranhão, em troca de palanque para o presidente.
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes é outro que deve concorrer ao governo em aliança com Lula e o PT, embora tente manter o debate mais focado em questões locais para conquistar parte dos votos da direita no berço do bolsonarismo.
O prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD), também não havia publicado nenhuma manifestação sobre Caiado. Há duas semanas, ele divulgou entrevista em que defendia Ratinho como candidato do partido. Em um estado com eleitorado majoritariamente de direita, ele disputará contra o governador Jorginho Mello (PL), aliado da família Bolsonaro.
Baixa adesão no lançamento
Os dois líderes do PSD no Congresso também são próximos ao PT. O deputado Antonio Brito, que coordena a bancada da sigla na Câmara, cumpriu agendas em Salvador nesta segunda. Já a senadora Eliziane Gama (MA) ignorou o lançamento da candidatura presidencial do partido, mas publicou foto com Lula há dois dias.
O ato em São Paulo para anunciar a candidatura de Caiado teve baixa adesão de políticos do partido. Um dos poucos de fora do estado foi o deputado Otoni de Paula (RJ). O governador de Goiás afirmou à imprensa que a entrevista foi marcada às pressas e que até ele teve dificuldade para encontrar um voo que chegasse a tempo do anúncio.
Ele afirmou ainda que buscará Eduardo Leite e outros correligionários em busca de apoio e disse que a pré-candidatura é “fruto de uma conversa entre todos” no partido.
(Folhapress/Raphael di Cunto)