Internacional

Mudanças na cidadania portuguesa voltam ao centro do debate político

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 1 de abril de 2026 às 14:40 | Atualizado há 4 meses

Revisão da lei após veto presidencial e decisão do Tribunal Constitucional reacende discussão sobre regras de cidadania | Foto: Reprodução
Revisão da lei após veto presidencial e decisão do Tribunal Constitucional reacende discussão sobre regras de cidadania | Foto: Reprodução

O Parlamento de Portugal retoma nesta quarta-feira (1º) o debate sobre a Lei da Nacionalidade, após veto presidencial e decisão do Tribunal Constitucional que apontou inconstitucionalidades em parte das normas aprovadas. A nova discussão abre caminho para ajustes no texto e pode impactar diretamente imigrantes que vivem ou pretendem viver no país.

Quais são as regras atuais da Lei da Nacionalidade

A Lei da Nacionalidade é a norma que define quem tem direito à cidadania portuguesa e estabelece em quais situações uma pessoa pode se tornar oficialmente portuguesa, seja por origem familiar, tempo de residência, naturalização ou outras hipóteses previstas na legislação.

É essa lei que regulamenta casos como filhos de portugueses nascidos no exterior, netos de portugueses, estrangeiros que vivem legalmente em Portugal há determinado período, pessoas casadas ou em união estável com cidadãos portugueses e situações em que o vínculo com o país e a integração efetiva passam a ser avaliados.

Segundo o advogado Wilson Bicalho, especializado em direito migratório, eventuais mudanças podem atingir um grande número de pessoas. “Qualquer alteração afeta indivíduos que escolheram Portugal como destino para trabalhar, investir ou recomeçar”, afirma.

O que motivou a reabertura do debate

A reavaliação da lei ocorre após manifestação do Tribunal Constitucional e veto do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que identificaram pontos incompatíveis com a Constituição.

Com isso, o processo legislativo volta à pauta, abrindo espaço para correções no texto e novas negociações entre os partidos. A discussão também sinaliza possíveis mudanças na forma como o país trata a concessão de cidadania.

Quais pontos estão no centro da discussão

Entre os principais temas em debate estão o aumento do tempo mínimo de residência, a revisão dos critérios de vínculo com Portugal, exigências mais rigorosas de integração, o endurecimento das regras de acesso à cidadania e a possibilidade de perda da nacionalidade em casos específicos, especialmente ligados a crimes graves.

Nesse último ponto, entram em jogo princípios constitucionais e limites do poder do Estado. Bicalho destaca que há maior complexidade jurídica em relação a esse tema. “Quando se discute a perda da nacionalidade, especialmente associada a situações mais graves, estamos diante de um debate que envolve direitos fundamentais e exige extremo cuidado jurídico”, afirma.

Com a reabertura do processo, diferentes cenários passam a ser considerados, como a elaboração de uma nova versão do texto ajustada às exigências constitucionais e a ampliação das negociações políticas.

“Há um dever claro de garantir processos rigorosos e transparentes. O desafio está justamente em equilibrar abertura e controle”, diz o advogado.


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