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Amado Batista é incluído na “lista suja” do trabalho escravo em Goiás

Léo Carvalho

Publicado em 7 de abril de 2026 às 11:09 | Atualizado há 2 meses

Amado Batista foi incluído em cadastro federal após autuações em propriedades rurais em Goiás | Foto: Reprodução
Amado Batista foi incluído em cadastro federal após autuações em propriedades rurais em Goiás | Foto: Reprodução

O cantor Amado Batista foi incluído na atualização mais recente do cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego na segunda-feira, 6. A nova versão do documento adicionou 169 nomes e elevou o total para cerca de 613 empregadores em todo o país.

A inclusão ocorre após processos administrativos concluídos em duas instâncias, com direito à defesa. O cadastro reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas por irregularidades constatadas em fiscalizações realizadas entre 2020 e 2025.

Autuações em Goiás

No caso de Amado Batista, o nome aparece vinculado a duas autuações registradas em 2024, ambas no município de Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia. As ocorrências envolvem duas propriedades rurais associadas ao artista, identificadas como Sítio Esperança e Sítio Recanto da Mata.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, as fiscalizações identificaram um total de 14 trabalhadores em condições consideradas análogas à escravidão, sendo dez em uma das áreas e quatro em outra.

As irregularidades estão relacionadas principalmente à organização do trabalho no cultivo agrícola, com registros de jornadas consideradas exaustivas e condições incompatíveis com a legislação trabalhista.

Em uma das situações analisadas, trabalhadores iniciavam atividades ainda na madrugada e seguiam até a noite, sem o intervalo mínimo de descanso previsto em lei. Esse tipo de prática é enquadrado como uma das formas de trabalho análogo à escravidão previstas no Código Penal brasileiro.

O que caracteriza trabalho escravo

A legislação brasileira define quatro elementos principais para caracterização desse tipo de exploração: trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição de locomoção. A presença de qualquer um desses fatores já pode configurar a irregularidade.

No conjunto das fiscalizações que resultaram na atualização da lista, mais de 2,2 mil trabalhadores foram resgatados em diferentes regiões do país.

Como funciona a “lista suja”

Criada em 2003, a “lista suja” do trabalho escravo é considerada um dos principais instrumentos de transparência e combate a esse tipo de prática no Brasil. O cadastro é atualizado semestralmente e não impõe penalidades diretas, mas serve como referência para bancos e empresas na concessão de crédito e na formalização de contratos.

Os nomes incluídos permanecem no registro por até dois anos. Durante esse período, os empregadores podem buscar a exclusão antecipada mediante assinatura de acordo com o poder público, com previsão de regularização das condições de trabalho e reparação de danos.

A atualização mais recente também inclui empresas de diferentes setores econômicos e casos registrados em 22 estados brasileiros, com maior concentração em Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Paraíba.

Além da carreira consolidada na música popular brasileira, Amado Batista também atua no setor agropecuário, com propriedades rurais voltadas à produção agrícola e pecuária. As autuações que resultaram na inclusão do nome do cantor no cadastro estão relacionadas a essas atividades.

O caso segue repercutindo e pode ter desdobramentos administrativos e judiciais, a depender de eventuais recursos apresentados pela defesa.

Defesa do cantor

A assessoria de Amado Batista contesta a inclusão no cadastro. Em manifestações públicas, a equipe afirma que não houve resgate de trabalhadores nas propriedades do artista e que as atividades seguem normalmente.

Ainda segundo a defesa, parte das irregularidades apontadas estaria relacionada à atuação de uma empresa terceirizada contratada para serviços na área rural, o que também é citado como argumento para questionar a responsabilização direta do cantor.

Nota completa da defesa de Amado Batista

Primeiramente, a informação veiculada que de houve o “resgate” de 14 trabalhadores na propriedade do Senhor Amado é COMPLETAMENTE FALSA E INVERÍDICA! Não HOUVE RESGATE de nenhum trabalhador nas propriedades. Todos os funcionários continuam trabalhando na propriedade normalmente!

Ocorreu uma fiscalização em uma fazenda “arrendada” pelo senhor amado para o plantio de milho, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de 4 colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio.

O Fato ocorreu em 2024, foi assinado um TAC com MPT, na qual todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas.

Outrossim, já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação”.


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