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Nova atualização da lista suja inclui 169 empregadores e expõe caso da BYD

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 7 de abril de 2026 às 14:49 | Atualizado há 3 meses

Fábrica da BYD recém inaugurada na Bahia é plano de fundo de escândalo envolvendo trabalho análogo à escravidão | Foto: Reprodução
Fábrica da BYD recém inaugurada na Bahia é plano de fundo de escândalo envolvendo trabalho análogo à escravidão | Foto: Reprodução

A chamada “lista suja” é um documento público divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que reúne empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão. Nesta segunda-feira (6), o governo atualizou o cadastro com a inclusão de 169 novos nomes.

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Entre os empregadores listados, aparecem empresas e figuras conhecidas, como a montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista.

Em comparação com a última atualização, realizada em outubro de 2025, houve aumento de 6,28% no número de registros, totalizando cerca de 613 empregadores. Ao todo, estima-se que 2.247 trabalhadores foram resgatados de situações de exploração.

A lista é considerada um instrumento relevante no combate ao trabalho escravo contemporâneo, sendo reconhecida inclusive pela Organização das Nações Unidas. Além disso, serve como critério para empresas e instituições financeiras restringirem crédito e firmarem contratos.

Caso BYD

A BYD, cujo slogan é “Build Your Dreams” (“Construa Seus Sonhos”), já havia sido alvo de denúncias em 2024, quando foi acusada de submeter trabalhadores chineses no Brasil a condições abusivas, incluindo suspeitas de tráfico humano.

Durante inspeção federal, foram encontrados 31 trabalhadores vivendo em uma mesma casa com apenas um banheiro. Alimentos e pertences pessoais estavam armazenados de forma precária no chão, e havia alojamentos sem colchões. As condições foram classificadas como degradantes.

Também foi relatado que os trabalhadores eram obrigados a entregar seus passaportes, autorizar o envio de parte dos salários para a China e pagar um depósito de cerca de US$ 900, com promessa de devolução após seis meses de trabalho.

A inclusão da empresa na lista pode afetar sua reputação no Brasil, um dos principais mercados da companhia fora da China.

BYD entra na lista suja do trabalho escravo após denúncias de condições degradantes | Foto: Reprodução

Na apuração mais recente, auditores identificaram jornadas exaustivas, com mais de dez horas diárias de trabalho durante seis dias por semana, além da possibilidade de extensão do expediente, ultrapassando o limite legal de 44 horas semanais. Também foram constatadas condições degradantes nos alojamentos durante a construção de uma fábrica em Camaçari (BA).

O MTE resgatou 224 trabalhadores. A empresa, por sua vez, afirmou que os funcionários eram vinculados a uma terceirizada, a Jinjiang Construction Brazil Ltda., e declarou não tolerar desrespeito à legislação brasileira ou à dignidade humana. Como medida, transferiu parte dos trabalhadores para hotéis e encerrou o contrato com a prestadora.

Conclusão do caso

A inclusão da BYD na lista ocorreu após a conclusão de processo administrativo no MTE, com esgotamento das possibilidades de recurso. As alegações da empresa sobre ausência de vínculo direto não foram aceitas pelos auditores.

Em janeiro deste ano, a companhia firmou acordo com o MTE e pagou R$ 40 milhões por dano moral coletivo e indenizações aos trabalhadores.

O nome da empresa deve permanecer na lista por, no mínimo, dois anos. Nesta atualização, 225 empregadores foram excluídos após cumprirem esse prazo.


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