Grupo Massa recebeu R$ 24 milhões do Banco Master que não poupa ningúem
Léo Carvalho
Publicado em 9 de abril de 2026 às 12:30 | Atualizado há 2 meses
Grupo Massa recebeu R$ 24 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, segundo dados enviados à CPI | Foto: Reprodução
Documentos enviados pela Receita Federal (RF) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado apontam uma série de pagamentos realizados pelo Banco Master a empresas e escritórios ligados a figuras públicas de diferentes áreas. Os dados, que abrangem o período entre 2022 e 2025, incluem repasses milionários a políticos, consultorias, escritórios de advocacia e grupos empresariais.
Leia também
Rede de poder do Banco Master beneficiou Marconi Perillo em R$ 14,5 milhões
Entre os valores declarados, estão R$ 18,5 milhões pagos a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa ligada ao ex-ministro Guido Mantega. O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer em 2025, além de R$ 6,4 milhões destinados a escritórios vinculados a Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
Os documentos incluem ainda repasses a empresas relacionadas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, que recebeu R$ 5,45 milhões por meio da A&M Consultoria, e ao escritório Lewandowski Advocacia, que teve ao menos R$ 6,1 milhões em pagamentos a partir de novembro de 2023. Também consta o pagamento de R$ 3,8 milhões à WF Comunicação, empresa ligada ao ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten.
Ratinho no Banco Master
Entre os casos que concentram valores mais elevados está o do Grupo Massa, ligado à família do governador do Paraná, Ratinho Junior. De acordo com os dados apresentados, a empresa Massa Intermediação recebeu R$ 21 milhões entre 2022 e 2025. Já a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, também pertencente ao grupo, recebeu R$ 3 milhões em 2022.
Os valores destinados ao Grupo Massa aparecem associados a contratos e ações comerciais envolvendo produtos financeiros do banco, incluindo campanhas publicitárias e parcerias. O apresentador Ratinho, pai do governador, atuava como garoto-propaganda de um dos produtos do Banco Master, o cartão consignado CredCesta.
Em nota, o Grupo Massa afirmou que mantém atuação reconhecida no mercado e que os valores recebidos estão devidamente declarados à Receita Federal, vinculados a contratos de publicidade e parcerias com empresas privadas. A assessoria também informou que Ratinho Junior não é sócio do grupo e não se manifestou diretamente sobre os valores mencionados.
Outros pagamentos identificados nos documentos incluem R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa ligada a Bonnie Bonilha, além de repasses menores a pessoas físicas, como o senador Jaques Wagner, que declarou que o valor recebido se refere a rendimento de aplicação financeira.
As informações enviadas à CPI tratam de valores declarados pelo próprio banco à Receita Federal, sem correção inflacionária, e incluem retenções tributárias na fonte. Até o momento, não há indicação formal de irregularidade nos pagamentos listados, segundo as informações disponíveis.
O caso segue em análise no âmbito da comissão parlamentar, com base nos dados fiscais apresentados e nos esclarecimentos prestados pelos envolvidos.
Posicionamentos dos beneficiados
As pessoas e empresas citadas afirmam que os valores recebidos correspondem a serviços prestados de forma regular. Henrique Meirelles declarou que atuou como consultor e encerrou o contrato em julho de 2025. Michel Temer informou que recebeu valores por serviços de mediação. Guido Mantega afirmou que prestou consultoria econômica ao banco e que não tinha conhecimento de eventuais irregularidades.
Antônio Rueda declarou que os serviços prestados por seus escritórios têm caráter técnico e seguem a legislação vigente. ACM Neto, por meio de sua empresa, afirmou que os contratos foram firmados de maneira regular e que os serviços foram efetivamente realizados.
A BN Financeira declarou que os serviços prestados ao banco foram realizados mediante emissão de nota fiscal e dentro da legalidade. Já o senador Jaques Wagner afirmou que o valor associado ao seu nome se refere a rendimento de aplicação financeira como pessoa física.