Internacional

Agência afirma que o novo líder supremo do Irã está consciente, porém sofreu desfiguração no rosto

Redação

Publicado em 11 de abril de 2026 às 08:54 | Atualizado há 2 meses

Fontes próximas ao centro de poder em Teerã afirmam que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está consciente, mas sofreu desfiguração no rosto e ainda se recupera de ferimentos graves. Ele foi atingido no bombardeio que matou seu pai, Ali Khamenei, no início da guerra.

De acordo com três pessoas com acesso ao círculo interno, além das lesões faciais, Mojtaba também teria sofrido ferimentos importantes em uma ou nas duas pernas. O ataque aconteceu em 28 de fevereiro, quando o complexo do líder supremo, no centro de Teerã, foi bombardeado.

Mesmo ferido, o líder de 56 anos segue atuando nas decisões do governo. Segundo essas fontes, ele tem participado de reuniões por áudio e continua envolvido tanto na condução da guerra quanto nas negociações com os Estados Unidos.

As informações não puderam ser confirmadas de forma independente. A missão do Irã na ONU não respondeu aos questionamentos sobre a gravidade dos ferimentos nem explicou a ausência de imagens públicas recentes do líder.

A situação levanta dúvidas sobre sua capacidade de governar em um momento delicado para o país. As negociações de paz entre Irã e Estados Unidos começaram em Islamabad, no Paquistão.

Desde o ataque e sua escolha como sucessor, não foram divulgadas fotos, vídeos ou gravações de voz de Mojtaba. Também não houve um comunicado oficial detalhando seu estado de saúde. Após sua nomeação, um apresentador da TV estatal o descreveu como “janbaz”, termo usado para pessoas gravemente feridas em guerra.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, já havia dito que Mojtaba estava ferido e possivelmente desfigurado. Uma fonte com acesso a relatórios de inteligência americana afirmou ainda que ele pode ter perdido uma perna.

Para o pesquisador Alex Vatanka, mesmo que se recupere fisicamente, é improvável que Mojtaba tenha o mesmo peso político do pai. Ele avalia que o novo líder representa continuidade, mas ainda precisa firmar sua autoridade.

Uma das fontes ouvidas disse que imagens do líder podem ser divulgadas em um ou dois meses, dependendo das condições de saúde e segurança.

Ausência pública alimenta especulações

A falta de aparições públicas tem gerado debate nas redes sociais iranianas. Usuários levantam dúvidas sobre o estado de saúde do líder e sobre quem, de fato, está tomando as decisões no país. Um dos conteúdos mais compartilhados mostra uma cadeira vazia sob um holofote com a frase: “Onde está Mojtaba?”.

Aliados do governo, por outro lado, dizem que manter o líder fora do público é uma medida de segurança diante do risco de novos ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Estrutura de poder no Irã

No sistema iraniano, o líder supremo concentra o poder máximo. O cargo é ocupado por um clérigo xiita escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás. Ele supervisiona o presidente e controla instituições como a Guarda Revolucionária.

O primeiro líder supremo, Ruhollah Khomeini, exerceu autoridade absoluta após a revolução islâmica. Já Ali Khamenei consolidou seu poder ao longo de décadas, em parte ao fortalecer o papel dos militares.

Fontes indicam que Mojtaba não tem o mesmo nível de autoridade. Durante a guerra, a Guarda Revolucionária que apoiou sua chegada ao cargo passou a ter papel central nas decisões estratégicas.

Embora seja visto como alinhado à ala mais dura do regime, ainda há pouca informação pública sobre suas posições. Sua primeira mensagem foi divulgada em 12 de março, por escrito, na TV estatal. Nela, defendeu o fechamento do Estreito de Ormuz e pediu o fim de bases militares americanas na região.

Desde então, o gabinete divulgou apenas comunicados curtos, enquanto decisões e posicionamentos vêm sendo apresentados por outras autoridades.


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