Miss é presa em operação da PF contra tráfico e lavagem que movimentou milhões
Léo Carvalho
Publicado em 16 de abril de 2026 às 15:55 | Atualizado há 2 meses
Sara Monteiro é apontada como integrante do núcleo financeiro de organização criminosa investigada pela Polícia Federal | Reprodução/Redes sociais
A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quarta-feira (15), a modelo Sara Monteiro, de 36 anos, durante a Operação Luxury, que investiga um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A prisão ocorreu em São Paulo, onde a investigada residia recentemente.
Segundo as autoridades, ela é apontada como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa e teria participação direta na ocultação de recursos ilícitos.
De acordo com as investigações, Sara Monteiro seria beneficiária dos lucros obtidos com o tráfico e atuaria na lavagem de dinheiro por meio de gastos elevados, incluindo viagens, compras de alto padrão e manutenção de um estilo de vida considerado incompatível com sua renda declarada.
A modelo também é apontada como esposa de um dos líderes do grupo, que segue foragido. Ele seria responsável pela coordenação logística do tráfico, incluindo negociação com fornecedores e transporte da droga entre estados.

Esquema interestadual
A Operação Luxury apura a atuação de uma organização criminosa com presença em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. As investigações começaram em abril de 2025, após a apreensão de cerca de 1,1 tonelada de maconha em Frutal (MG), o que levou à identificação de uma estrutura mais ampla.
Desde então, as apreensões ligadas ao grupo somam aproximadamente 5,9 toneladas de drogas. Segundo a Polícia Federal, o esquema utilizava rotas alternativas, principalmente estradas rurais, além de veículos batedores e comunicação para evitar fiscalização policial.
Mato Grosso do Sul era apontado como origem dos entorpecentes, enquanto cidades do Triângulo Mineiro funcionavam como centros logísticos de distribuição.
Lavagem de dinheiro e patrimônio milionário
As investigações focaram especialmente no braço financeiro da organização, responsável por dar aparência legal aos recursos obtidos com o tráfico.
Segundo a PF, o grupo utilizava empresas de fachada, movimentações bancárias suspeitas e aquisição de bens de alto valor para ocultar a origem do dinheiro.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 61 milhões em bens, incluindo imóveis, contas e veículos de luxo. Ao todo, a operação já resultou na prisão de ao menos 24 pessoas e no cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
Atuação da investigada
De acordo com a apuração, Sara Monteiro não atuava diretamente na logística do tráfico, mas teria papel relevante na sustentação financeira da organização. Ela também mantinha negócios ligados aos setores de estética e moda, incluindo uma loja feminina que teria inspirado o nome da operação.
A investigada chegou a ser vista em uma propriedade rural apontada como base de apoio para transporte de drogas, o que reforçou suspeitas sobre sua ligação com o grupo.
Natural de Anápolis (GO), a modelo ganhou notoriedade nas redes sociais ao compartilhar conteúdos sobre beleza, viagens e estilo de vida de alto padrão.

Próximos passos
Sara Monteiro deve responder por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e não descarta novas fases da operação.