Brasil

Diferença salarial entre homens e mulheres chega a 21,3% no Brasil, aponta relatório

Léo Carvalho

Publicado em 27 de abril de 2026 às 09:35 | Atualizado há 2 meses

Mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens nas empresas com mais de 100 funcionários | Foto: Divulgação
Mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens nas empresas com mais de 100 funcionários | Foto: Divulgação

A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil atingiu 21,3% nas 53,5 mil empresas com mais de cem funcionários, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Apesar da manutenção da desigualdade em torno de 20% ao longo dos últimos anos, o levantamento indica crescimento relevante na presença feminina no mercado formal. Desde 2023, quando os dados passaram a ser sistematizados após a criação da Lei da Igualdade Salarial, o número de mulheres empregadas aumentou 11%.

Atualmente, a remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, enquanto a dos homens chega a R$ 5.039,68. Na prática, isso significa que elas recebem, em média, 78,7% do salário masculino. Em 2023, essa diferença era de 20,7%, subindo levemente para os atuais 21,3%, patamar praticamente estável em relação a novembro de 2025 (21,2%).

Um dos principais destaques do relatório é o avanço no número de mulheres com emprego formal. O total saltou de 7,2 milhões para 8 milhões entre 2023 e 2026 — um acréscimo de 800 mil trabalhadoras. Entre mulheres negras (pretas e pardas), o crescimento foi ainda mais expressivo, de 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos formais, o que representa mais 1 milhão de novas ocupações.

Também aumentou o número de empresas com maior presença de mulheres negras: 21.759 estabelecimentos passaram a ter ao menos 10% desse grupo em seus quadros, alta de 3,6% em relação ao levantamento anterior.

Mesmo com mais mulheres empregadas e avanço em políticas corporativas, diferença salarial persiste acima de 20% e evidencia barreiras estruturais no mercado de trabalho | Foto: Caio Gomez

Para Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho, a variação negativa de 0,6 ponto percentual na desigualdade é pequena diante do volume analisado. Segundo ela, houve crescimento tanto no número de mulheres contratadas quanto no rendimento médio e na presença feminina em cargos de gerência e direção.

A massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, mas ainda está distante da participação masculina no emprego, que é de 41,4%. Para equiparar esses percentuais, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões na renda total das trabalhadoras.

De acordo com Montagner, fatores estruturais dificultam a redução da desigualdade. O maior tempo de permanência dos homens nas empresas, por exemplo, impacta diretamente promoções e salários. “Se esse critério continuar predominando, quem está há mais tempo tende a ganhar mais, mesmo com desempenho semelhante”, afirma.

O relatório também aponta que a diferença salarial se ampliou em empresas de médio e grande porte. Em companhias com 251 a 500 empregados, a proporção da remuneração feminina caiu de 82,2% para 80,9%. Já nas empresas com 1.001 a 2.000 funcionários, houve recuo de 76,5% para 75,2%.

Além das barreiras estruturais, há resistência econômica por parte das empresas. Segundo Montagner, elevar a massa salarial feminina em 10,6% teria impacto positivo no consumo das famílias e ajudaria a reduzir a desigualdade, mas implicaria custos adicionais, o que dificulta a adoção de medidas mais rápidas.

Por outro lado, o estudo identifica avanços em políticas internas corporativas. A oferta de jornada flexível cresceu de 40,6% para 53,9% das empresas, enquanto o auxílio-creche passou de 22,9% para 38,4%. Também aumentou o número de companhias com licenças maternidade e paternidade estendidas, de 20% para 29,9%, além da ampliação de planos de cargos e salários, que passaram de 55,5% para 66,8%.

Empresas promovem mulhres

A proporção de empresas que afirmam promover mulheres também avançou, saindo de 63,8% para 75,7%. O levantamento analisou 19,3 milhões de vínculos formais de trabalho, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais, informados pelas empresas.

Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei da Igualdade Salarial determina que empresas com cem ou mais empregados adotem medidas para garantir remuneração equivalente entre homens e mulheres, além de divulgar relatórios semestrais ao MTE, sob pena de multa.

Embora o princípio da igualdade salarial já esteja previsto na Consolidação das Leis do Trabalho desde 1943, a nova legislação reforçou a obrigatoriedade de transparência e prestação de contas por parte das empresas.


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