Padrasto e mãe são indiciados após morte de menina envenenada em Alto Horizonte (GO)
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de abril de 2026 às 13:41 | Atualizado há 2 meses
Padrasto responde por feminicídio e tentativa de homicídio após conclusão do inquérito policial | Foto: Reprodução
A Polícia Civil de Goiás indiciou o padrasto e a mãe de Weslenny Lima, de 9 anos, após concluir o inquérito sobre a morte da menina, registrada em Alto Horizonte, no norte do estado. A criança morreu após consumir comida envenenada dentro da própria residência.
Segundo as investigações, o padrasto foi indiciado por feminicídio triplamente qualificado e por tentativa de homicídio contra o irmão da vítima, de 8 anos, que sobreviveu. A mãe também responde por omissão.
O menino chegou a ser hospitalizado após ingerir a mesma refeição. Ele permaneceu internado por cerca de uma semana no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, até receber alta.
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Substância tóxica e morte de animais reforçam suspeitas
A apuração aponta que o envenenamento ocorreu em 27 de março. Na casa da família, policiais encontraram uma panela com arroz na geladeira, com partículas escuras semelhantes a “chumbinho”, substância irregularmente usada como raticida. Resíduos também foram localizados no lixo da residência.
Após o lixo ser revirado, gatos da família ingeriram o material contaminado. Quatro animais morreram, e os laudos confirmaram a intoxicação pela mesma substância.
Versão do suspeito e depoimento da mãe
Em depoimento, o padrasto admitiu ter preparado a refeição, mas negou ter colocado veneno. Imagens de câmeras na residência registram a dinâmica no momento da refeição e mostram quando ele se levanta da mesa com um prato semelhante ao servido às vítimas.
Para os investigadores, há indícios de que ele não ingeriu a comida contaminada, o que ajuda a explicar o resultado negativo no exame toxicológico.
A mãe afirmou à polícia que o companheiro já teria manipulado substâncias sedativas sem prescrição, com a intenção de fazê-la dormir. Disse ainda que desconfiava do comportamento dele e exigia que ele provasse previamente alimentos e bebidas.
Na análise do celular do investigado, os policiais encontraram um vídeo em que ele aparece chorando e menciona a possibilidade de causar dano a si mesmo e a outras pessoas.
Segundo a Polícia Civil, o relacionamento era marcado por conflitos constantes. Esse contexto, somado às evidências reunidas, levou ao entendimento de que as crianças estavam expostas a uma situação contínua de vulnerabilidade, o que motivou o indiciamento da mãe por omissão.