Entenda a cronologia da morte de menina após jantar com suspeita de envenenamento
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 31 de março de 2026 às 16:13 | Atualizado há 4 meses
Caso é investigado após menina morrer e irmão passar mal após jantar em família | Foto: Reprodução
A morte de Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, após um jantar em família em Alto Horizonte, mobiliza a Polícia Civil de Goiás e gera comoção na cidade. A principal linha de investigação aponta para um possível envenenamento. O irmão da menina, de 8 anos, também passou mal e segue internado.
De acordo com a polícia, a mãe das crianças e o padrasto, os únicos adultos presentes na residência no momento dos fatos, são considerados suspeitos iniciais, embora neguem qualquer envolvimento.
Jantar em família é principal foco da investigação
Na noite da última sexta-feira (27), o companheiro da mãe preparou a refeição servida à família. O cardápio, segundo relato, incluía arroz, feijão e carne moída. A investigação aponta o jantar como o momento mais crítico para a possível intoxicação, principalmente pela proximidade entre a ingestão dos alimentos e o início dos sintomas.
Conforme explicou o delegado Sandro Leal, a carne já estava pronta desde o início do dia, enquanto os demais itens foram preparados pouco antes de serem consumidos.
Outras refeições também entram na linha de apuração
Além do jantar, a polícia apura tudo o que foi ingerido ao longo do dia. Entre os alimentos citados estão embutidos, como salame e mortadela, e um bolo de milho levado por uma terceira pessoa.
Segundo os investigadores, todos os moradores da casa teriam consumido os mesmos itens. O casal e as duas crianças fizeram o jantar juntos, na área externa da residência. A mãe afirmou que serviu os pratos das crianças e o próprio, enquanto o companheiro ficou responsável pelo dele.
Sintomas começaram poucas horas após a refeição
Após o jantar, as crianças foram orientadas a dormir. Pouco tempo depois, Weslenny começou a apresentar sinais de que algo não estava bem. A menina reclamou de dores abdominais intensas e demonstrava mal-estar.
Ela foi levada ao hospital do município, onde deu entrada por volta das 22h30 com crises convulsivas. Segundo o secretário de Saúde, Edimar Souza Fonseca, houve uma resposta inicial ao tratamento, mas o quadro evoluiu rapidamente para agravamento, com queda do estado geral, bradicardia e parada cardiorrespiratória.
Morte é confirmada e irmão apresenta sintomas semelhantes
Weslenny não resistiu e morreu na madrugada de sábado (28). No mesmo período, o irmão da menina, que permanecia na residência, começou a apresentar sintomas semelhantes, como náuseas e salivação excessiva.
Ele foi encaminhado em estado grave para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, onde permanece internado. Atualmente, o quadro clínico é estável.
Segundo a polícia, entre os adultos, apenas o padrasto apresentou sintomas leves, como episódios de vômito.
Animais mortos reforçam hipótese de envenenamento
Durante a perícia realizada na casa da família, investigadores encontraram quatro gatos mortos no quintal e nas proximidades da residência. Os animais foram recolhidos para exames no Instituto Médico Legal veterinário, em Goiânia.
A suspeita é de que a mesma substância que atingiu as crianças também tenha causado a morte dos animais, o que reforça a hipótese de envenenamento.
Materiais são recolhidos para análise pericial
Equipes da Polícia Civil recolheram restos de alimentos encontrados na residência, inclusive itens que haviam sido descartados. Outros produtos armazenados na geladeira também foram apreendidos por apresentarem suspeita.
Além disso, quatro aparelhos celulares foram recolhidos para análise, como parte das diligências que buscam esclarecer o que ocorreu dentro da casa.
Depoimentos apresentam contradições, diz polícia
A mãe e o padrasto prestaram depoimento e negaram participação no caso. No entanto, segundo o delegado responsável, há divergências nos relatos que ainda serão apuradas ao longo da investigação.
Outros familiares também foram ouvidos, entre eles o pai biológico das crianças, além de parentes próximos.
Perícia deve apontar substância e definir natureza do crime
A Polícia Civil aguarda os laudos periciais para identificar qual substância pode ter causado a intoxicação. Amostras biológicas foram coletadas das vítimas e dos animais, e serão analisadas pela Polícia Técnico-Científica.
Segundo Marcelo de Castro Coelho Morais, o exame dessas amostras será fundamental para determinar a origem da substância.
A principal suspeita é de uso de “chumbinho”, um veneno ilegal ainda encontrado de forma clandestina. O resultado da perícia deve indicar se houve homicídio intencional ou outro tipo de crime. O prazo para conclusão do laudo é de até 30 dias.