Giuliano Eriston fala sobre “Politonia”:”É um disco colorido e vibrante”
Redação Online
Publicado em 4 de maio de 2026 às 13:18 | Atualizado há 2 meses
Artista cearense persegue instrumentação elaborada em músicas - Foto: Nando Chagas
Marcus Vinícius Beck
Giuliano Eriston vem com tudo. Ele lança nesta terça (28/4) o disco “Politonia”, no qual reflete sobre saudade, paqueras e afetos. Além disso, o artista cearense, uma das sensações da música popular brasileira, adota um tom crítico. Canta em português, inglês e francês.
Entre maracatu, jazz, xote e R&B, Giuliano prefere uma instrumentação elaborada. Começa com “Lucidez”, faixa existencialista. Depois, “Gosto do Gesto” e “Festa no Infinito” levam o ouvinte a um território leve e solar. Aí chega a noite e sua magia doce: “Corpo de Candiá”.
O bom-humor se manifesta em “Borogodó”, composta com Pedro Baby e Gustavo Pereira, dois artistas que andam oxigenando a música brasileira. Na sequência, “Não Pro Sim” e “Vem Me Relembrar” tratam de emoções densas — como desengano, dores e lembranças. Por fim, o artista volta seu olhar para a temática sociopolítica em “Teia” e “Waiting”.
Violonista em sintonia com a tradição, Giuliano é prodígio. Tem 28 anos, mas seu talento foi revelado aos 13, no Festival Choro Jazz, em Jericoacoara (CE). Em 2021, aos 24, venceu a décima edição do The Voice Brasil. Seu primeiro disco, “Universo em Si”, saiu em 2022.
Desde então, o artista se ligou a Mariana Aydar e Pretinho da Serrinha. Homenageou, em 2024, o cantor capixaba Sérgio Sampaio. Nesta entrevista, Giuliano fala ao DM sobre carreira, novo disco e as lentes que usa para enxergar a sociedade. Leia os melhores trechos:
Diário da Manhã – O que devemos esperar de seu novo disco?
Giuliano Eriston – Pra mim, simboliza uma ruptura com uma característica meio monocromática do meu primeiro álbum, em que a formação é baseada em voz e violão. Um ou outro instrumento entra pra somar em faixas diferentes. No novo álbum, a gente gravou bastante coisa. Em cada faixa, foram elencados músicos diferentes. Eu gravei baixo, guitarra, flauta, sax, coro. Ou seja, é um disco colorido e vibrante. Tanto na riqueza musical quanto nos temas das letras, pois, em cada música, trato de um assunto diferente.
DM – Qual é o nome da obra? Por que você a batizou assim?
Giuliano – O álbum se chama “Politonia”, e a razão do nome é justamente por ele explorar essa diversidade de cores, texturas e temas que mencionei anteriormente. É um neologismo que quer dizer o oposto de monotonia. Cores, cores, cores.
DM – O que quer expressar nesse novo trabalho?
Giuliano – Eu sigo querendo expressar, nas letras, minhas questões existenciais, minha maneira de enxergar e sentir o amor, meu espanto diante da grandeza e sabedoria da natureza e minha crítica ao que me aflige nas coisas que acontecem no mundo contemporâneo. Musicalmente, também quero expressar a tradição musical riquíssima que temos em nosso país, tanto nos ritmos tradicionais quanto nos ritmos estrangeiros que incorporamos no último século.
DM – Como ocorreu o processo de composição e seleção do repertório?
Giuliano – O repertório é composto de algumas músicas que escrevi desde que cheguei ao Rio pra morar e que surgiram de impulsos muito diversos e não muito específicos. Outras surgiram durante o processo de feitura do álbum, que começou em agosto do ano passado e que já estão mais influenciadas por ele.
DM – A canção “Teia” realiza um protesto contra as redes sociais. Como driblar a desinformação do mundo virtual?
Giuliano – Eu acredito que seja sempre tendo um olhar muito crítico e cético em relação à fonte da informação. O peso da veracidade e credibilidade dela não pode ser dado a qualquer pessoa. Há de se respeitar os critérios de depuração que gente séria utiliza pra trazer confiança ao que fala. E, mesmo dessas pessoas, precisamos duvidar. Duvidar, duvidar, duvidar (risos).
DM – Há um certo espírito tropicalista, antropofágico. O que mais te fascina na MPB?
Giuliano – Me fascina essa disposição de ouvir e assimilar o que acontece no mundo pra produzir o próprio ponto de vista. Vejo nisso o espírito mais apropriado para encarar um mundo que é cada vez mais interativo e em que muita gente, ao invés de se abrir ao outro, tende a se assustar e reagir destrutivamente. Me fascina esse olhar que enxerga força na alteridade.
DM – Você transita por diferentes estilos brasileiros por meio de parcerias com Mariana Aydar e Pretinho da Serrinha. Como foi a convivência em estúdio com esses artistas?
Giuliano – Na verdade, nas gravações especificamente desses dois, a gente não teve a chance de estar juntos por questões logísticas, mas depois pude encontrá-los pessoalmente e trocar momentos e ideias que, pra mim, foram muito preciosos. Mas, nesse álbum, teremos a participação especial de um artista que muito admiro e que não sei se posso contar ainda quem é, mas que foi uma experiência fascinante estar perto da luz e da musicalidade dele. É sempre engrandecedor estar perto de quem a gente acha grande.