Datafolha aponta que 68% dos endividados esperam benefícios do Desenrola 2.0
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 22 de maio de 2026 às 15:44 | Atualizado há 2 meses
Uma pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha na última quinta-feira (21) mostra que a maior parte dos brasileiros endividados acredita que poderá ser beneficiada pelo programa Desenrola 2.0. Segundo o levantamento, 68% das pessoas com dívidas afirmam enxergar vantagens na iniciativa de renegociação financeira promovida pelo governo federal.
Além do impacto individual, a percepção positiva também aparece em relação à economia do país. Entre os entrevistados endividados, 82% avaliam que o programa pode trazer efeitos favoráveis para a atividade econômica brasileira.
Os índices superam a avaliação positiva do governo federal dentro desse mesmo grupo. Conforme os dados, 31% dos endividados classificam a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ótima ou boa, enquanto 46% aprovam o trabalho do chefe do Executivo.
Entre os brasileiros sem dívidas, 39% acreditam que o Desenrola 2.0 pode trazer benefícios para as finanças pessoais, enquanto 73% enxergam reflexos positivos para a economia nacional. Nesse grupo, 30% avaliam o governo como ótimo ou bom e 45% aprovam a atuação do presidente.
Jovens, nordestinos e eleitores de Lula são os mais otimistas
A pesquisa também aponta que os segmentos mais confiantes em relação ao programa são os jovens, moradores da Região Nordeste e eleitores do presidente Lula.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que mais de um milhão de pessoas já foram beneficiadas pelo Desenrola 2.0.
O levantamento do Datafolha ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre os entrevistados sem alinhamento político, a margem sobe para quatro pontos percentuais.
Pesquisa aponta avanço do endividamento entre brasileiros
Outro levantamento divulgado pelo Datafolha, em 18 de abril, revelou que dois em cada três brasileiros possuem algum tipo de dívida financeira. A pesquisa também mostrou que o endividamento vai além das instituições bancárias.
Entre os entrevistados que pegaram dinheiro emprestado com amigos, familiares ou conhecidos, 41% afirmaram não ter conseguido devolver os valores recebidos.
O estudo ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, dentro de um nível de confiança de 95%.
Considerando apenas os brasileiros endividados, 29% relataram atraso em parcelas do cartão de crédito. Outros 26% disseram estar inadimplentes em empréstimos bancários, enquanto 25% afirmaram ter dívidas em carnês de lojas.
O levantamento identificou ainda que 27% dos entrevistados utilizam crédito rotativo em algum nível de frequência. Desse total, 5% recorrem à modalidade com frequência habitual e 22% utilizam o recurso de forma ocasional. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, permitindo a incidência de juros elevados sobre o saldo restante.
As dificuldades financeiras também aparecem nas contas básicas. Segundo a pesquisa, 28% dos entrevistados possuem débitos em atraso relacionados a serviços e despesas do cotidiano. Entre as contas mais citadas estão telefonia e internet, mencionadas por 12%, tributos como IPTU, IPVA e carnê-leão, também com 12%, além de energia elétrica, com 11%, e água, com 9%.
Aperto financeiro afeta consumo e rotina das famílias
Os dados do Datafolha indicam ainda que boa parte da população vive sob forte pressão econômica. Utilizando um índice baseado em oito tipos de restrições orçamentárias, a pesquisa concluiu que 45% dos brasileiros enfrentam elevado grau de aperto financeiro.
Desse total, 27% foram classificados em situação considerada apertada e 18% em condição severa. Outros 36% vivem um cenário moderado de restrição financeira, enquanto apenas 19% aparecem com pouca ou nenhuma limitação econômica.
Para equilibrar o orçamento, os brasileiros relatam mudanças significativas nos hábitos de consumo. O lazer foi apontado como o principal gasto reduzido, citado por 64% dos entrevistados. Em seguida aparecem a diminuição das refeições fora de casa e a troca de produtos por marcas mais baratas, ambos mencionados por 60%.
A pesquisa também aponta impacto direto no consumo básico. Segundo os dados, 52% disseram ter reduzido a compra de alimentos, enquanto metade dos entrevistados afirmou ter diminuído gastos com água, energia elétrica e gás.
Além disso, 40% relataram deixar contas vencerem por falta de recursos, e 38% disseram ter suspendido pagamentos de dívidas ou deixado de comprar medicamentos.
Quando questionados espontaneamente sobre o principal problema pessoal enfrentado atualmente, 37% dos brasileiros citaram questões financeiras, mencionando baixa renda, endividamento e alto custo de vida.