Atlas da Violência: jovens trans concentram maior parte dos casos de violência no Brasil
DM Online
Publicado em 26 de maio de 2026 às 13:00 | Atualizado há 1 semana
Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que a violência contra pessoas trans e travestis no Brasil atinge principalmente jovens entre 15 e 34 anos. O levantamento revela que os maiores índices de vitimização estão concentrados justamente nas faixas etárias mais jovens da população LGBTQIAPN+.
O Gráfico 7.4 do relatório aponta que homens transexuais registram os maiores percentuais de violência entre 15 e 19 anos, faixa em que os casos chegam próximos de 18% das notificações nacionais. Entre travestis, o pico da violência ocorre entre 25 e 29 anos, quando os registros ultrapassam 17%. Já entre mulheres transexuais, os maiores índices aparecem entre 20 e 29 anos, faixa que concentra aproximadamente 16% das ocorrências notificadas.
O estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra ainda que os índices começam a cair progressivamente após os 35 anos, embora a violência permaneça presente em praticamente todas as faixas etárias analisadas.

Segundo o Atlas, o padrão etário da violência evidencia que pessoas trans e travestis enfrentam exposição precoce à violência física, psicológica e sexual no Brasil. O relatório aponta que a vulnerabilidade atinge principalmente jovens em fase de construção de identidade social, muitas vezes marcados por exclusão familiar, evasão escolar, desemprego e marginalização econômica.
O documento afirma ainda que a violência contra a população LGBTQIAPN+ ocorre em um contexto de subnotificação e ausência de estatísticas completas, o que significa que os números reais podem ser ainda maiores. O Atlas destaca que muitos casos deixam de ser registrados por medo, discriminação institucional e dificuldade de acesso aos mecanismos de denúncia.
Os pesquisadores também relacionam o aumento da violência ao avanço de discursos de ódio e radicalização contra minorias sexuais e de gênero nas redes sociais e no ambiente político. O relatório alerta que ambientes marcados por intolerância e estigmatização ampliam a exposição dessa população à violência cotidiana.