IPCA-15 sobe 0,62% em maio com combustíveis em queda e alimentos em alta
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 27 de maio de 2026 às 16:47 | Atualizado há 2 meses
Preços de alimentos e energia impulsionam a prévia da inflação em maio no país | Foto: BRUNO ROCHA/ESTADÃO CONTEÚDO
O IPCA-15, indicador que antecipa a inflação oficial do país, teve alta de 0,62% em maio, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (27). O resultado mostra uma perda de ritmo em relação a abril, quando a variação havia sido de 0,89%, porém ainda acima do esperado pelo mercado, que projetava avanço de 0,57%. Em 12 meses, o índice acumula 4,64%, ultrapassando o limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, fixado em 4,5%.
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Alimentação mantém pressão sobre o índice
O grupo de alimentação e bebidas voltou a ser o principal responsável pela elevação do custo de vida, com alta de 1,38% em maio. Mesmo com leve desaceleração no ritmo dos alimentos consumidos em casa, o segmento segue exercendo forte impacto no orçamento das famílias.
Entre os produtos que mais encareceram no período estão itens básicos da mesa do consumidor, como a batata-inglesa, que disparou 26,29%, o tomate, com aumento de 12,97%, o leite longa vida, que subiu 6,07%, e as carnes, com variação positiva de 1,98%. Em contrapartida, houve recuos pontuais, como a maçã, com queda de 2,32%, e o café moído, que recuou 2,09%, ajudando a suavizar parte da pressão inflacionária. Especialistas relacionam esse comportamento a fatores climáticos, sazonalidade e também ao aumento das exportações de proteínas, o que reduz a oferta no mercado interno.
Energia e saúde seguem elevando custos
O setor de habitação também exerceu influência significativa no índice, ao avançar 1,03% em maio. A principal contribuição veio da energia elétrica residencial, que subiu 2,16% e teve o maior impacto individual no resultado geral. O reajuste foi impulsionado pela ativação da bandeira tarifária amarela, além de aumentos aplicados em cidades como Fortaleza, Salvador e Recife.
Na área da saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 1,05%, com destaque para o aumento em produtos de higiene, medicamentos e planos de saúde. O reajuste de até 3,81% nos preços dos remédios, autorizado desde abril, ainda segue influenciando os valores ao consumidor.
Transportes têm alívio com queda dos combustíveis
O grupo de transportes foi o único a registrar queda mais expressiva, recuando 1,47% em maio, após forte alta no mês anterior. A redução foi puxada principalmente pela diminuição nos preços dos combustíveis, com destaque para etanol, diesel e gasolina, enquanto o gás veicular apresentou comportamento oposto, com leve alta.
Apesar disso, as passagens aéreas voltaram a subir no período, com avanço de 3,25%, após terem registrado queda acentuada em abril, evidenciando a volatilidade desse componente dentro do índice.