Opinião Pública

Que falta faz o Adolfo

Redação

Publicado em 5 de junho de 2026 às 11:21 | Atualizado há 2 horas

Por Hélmiton Kéeller Borges Prateado

O saudoso Adolfo Ribeiro Valadares era um homem iluminado em todos os sentidos. Sua história de vida, saindo das dificuldades do Tocantins para buscar a vida em Goiânia, a formação intelectual e sua presença na Universidade Federal de Goiás, a sofrida vida construída sobre firmes pilares de fé, amor e esperança.

A presença maçônica sem qualquer mácula e de uma postura exemplar, galgando postos seguidamente até atingir o cargo de Grão Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás. O referencial de homem, de cristão, de maçom e de líder fizeram dele um modelo a ser seguido e uma lembrança sempre viva de como encarar a vida.

Em síntese: uma alma iluminada.Por isso falo de forma muito saudosa da lembrança que temos dele e do quanto ele faz falta para ser o guia, o irmão que aglutina e chama à reflexão para corrigir o que é necessário mudar para melhorar. Ele saberia como poucos a melhor maneira de chamar à ordem o processo histórico para dar um novo rumo em nossas vidas.

Sua visão privilegiada seria o norte seguro para apaziguar corações e mentes, dissipar vaidades e recolocar tudo no rumo certo, sem perder valores, sem comprometer a fraternidade, sem ferir sentimentos e sem destruir pontes de grande valor nas relações. Adolfo sabia como identificar um foco de insatisfação, avaliar sua origem, convergir todos para uma conversa franca e fraterna e corrigir o que fosse necessário minimizando danos colaterais.

E fazia isso sem levantar a voz, sem confrontar diretamente e com a placidez de quem lidera sem mandar. Aliás, ele liderava sem precisar se impor: apenas dando o tom correto, com diálogo e ponderação. Por isso deixou tanta saudade. Sua postura era a mais verdadeira materialização do título que damos aos Grão Mestres: Sereníssimo.Hoje vivemos tempos difíceis e com muita amargura.

Os irmãos de jornada se referem a esse tempo que vivenciamos de forma desnorteada, insatisfeitos com posturas e decisões que desagradam e nos distanciam. É uma dor que fere a alma. Há uma sensação de abandono e é muito pequena a perspectiva de que dias alegres virão. O terreno à nossa frente é árido, sem vida, uma desesperança só.

Falta uma voz que chame à reflexão para corrigir o que é preciso, sem machucar e sem destruir. Falta uma voz com a serenidade de um Adolfo. Falta um líder que pense e ofereça saídas de modo agradável e acolhedor, como o Adolfo. Falta um irmão que abrace e ampare, como o Adolfo. Falta um homem que seja o comandante e não o chefe, como o Adolfo. Falta um indivíduo que seja o referencial e não o ocupante do cargo, como o Adolfo.

O desalento entre os irmãos é latente, justamente por medo e receio. Parece que vivemos nos tempos da ditadura militar, vigiados, reprimidos e desesperançados de que um dia voltaremos a sorrir. Isso embaça a alma e nos afasta dos nossos ideais. Não temos a alegria de reencontrar os irmãos e pensar coisas boas para o futuro porque o perigo está sempre no ar. E o poder exerce sua força de forma implacável, sem pensar no amanhã.

A maçonaria nos ensina que precisamos edificar estruturas firmes, sólidas e perenes para as virtudes, ao tempo que empurramos os vícios para o abismo. E pensar a maçonaria para o Século XXI é essencialmente buscar a virtude, o bem, a fraternidade e o fim da visão opressora. Por isso buscamos na história exemplos que poderiam nos guiar nesse mar revolto da insatisfação e construirmos juntos um sonho bom.

Hoje eu vou dormir e sonhar que o Grande Arquiteto do Universo, em sua infinita bondade e misericórdia, nos brindará com um irmão alegre, virtuoso e agradável como Adolfo Ribeiro Valadares. Deus permita que um homem inspirado no Adolfo nos leve para a verdadeira luz e que as trevas sejam vencidas.Assim seja.Hélmiton Kéeller Borges Prateado é jornalista, advogado e maçom Grau 33

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