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União Europeia veta importação de carne do Brasil

DM Online

Publicado em 6 de junho de 2026 às 11:20 | Atualizado há 3 horas

A exportação de carne bovina ao mercado americano caiu 80% desde abril
A exportação de carne bovina ao mercado americano caiu 80% desde abril

A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco europeu a partir de setembro de 2026 provocou reações no setor agropecuário e no governo brasileiro. Oficialmente, a medida está relacionada às exigências europeias sobre o controle e o uso de antimicrobianos na produção animal. Nos bastidores, porém, o episódio também alimenta discussões sobre possíveis barreiras comerciais e proteção ao mercado agrícola europeu.

O veto atinge uma série de produtos de origem animal, incluindo carnes, aves, ovos, mel, pescado e derivados destinados aos países da União Europeia. A restrição não entra em vigor imediatamente, permitindo que exportadores e autoridades brasileiras tenham alguns meses para buscar uma solução diplomática e técnica.

Representantes do governo brasileiro afirmam que o país já possui mecanismos de controle sanitário reconhecidos internacionalmente e trabalham para apresentar informações complementares às autoridades europeias. A expectativa é demonstrar conformidade com as exigências regulatórias do bloco e evitar prejuízos às exportações.

Para especialistas em comércio internacional, a decisão ocorre em um momento sensível das relações entre Mercosul e União Europeia. O acordo comercial negociado há décadas enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, especialmente em países onde produtores temem a concorrência de alimentos sul-americanos com custos mais competitivos.

Embora a justificativa oficial seja sanitária, entidades ligadas ao agronegócio brasileiro avaliam que o endurecimento das regras pode refletir também interesses econômicos internos da Europa. O argumento é que exigências regulatórias cada vez mais rigorosas acabam funcionando, na prática, como instrumentos de proteção de mercado.

Apesar da repercussão, o impacto econômico imediato tende a ser limitado. A União Europeia representa uma parcela importante, mas não majoritária, das exportações brasileiras de proteína animal. O Brasil mantém mercados relevantes na Ásia, Oriente Médio e América Latina, o que reduz o risco de desorganização do setor no curto prazo.

Nos próximos meses, as negociações entre Brasília e Bruxelas devem se intensificar. O desfecho do caso será acompanhado de perto por produtores, exportadores e investidores, já que poderá influenciar não apenas o fluxo de comércio de produtos agropecuários, mas também o futuro das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia.

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