Percentual de famílias endividadas bate recorde e chega a 81,6% em maio
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 10 de junho de 2026 às 15:37 | Atualizado há 54 minutos
Cartão de crédito segue entre as principais modalidades de dívida dos brasileiros | Foto: Reprodução
O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 81,6% em maio deste ano, o maior patamar já registrado pela série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10) e mostram avanço tanto no endividamento quanto na inadimplência.
Na comparação com maio de 2025, o índice cresceu 3,4 pontos percentuais, passando de 78,2% para 81,6%. Em relação a abril deste ano, quando o indicador era de 80,9%, o aumento foi de 0,7 ponto percentual.
A pesquisa considera como endividadas as famílias que possuem compromissos financeiros a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, empréstimos pessoais, carnês de loja e financiamentos de veículos ou imóveis.
O aumento do endividamento veio acompanhado pela alta da inadimplência. Em maio, 29,9% dos entrevistados afirmaram ter contas em atraso, o maior percentual desde novembro de 2025, quando o indicador atingiu 30%. No mês anterior, a taxa era de 29,7%.
Apesar do crescimento dos indicadores, o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar os débitos atrasados permaneceu estável em 12,3%.
O levantamento também mostra que o endividamento avançou em quase todas as faixas de renda. A única exceção foi o grupo com rendimento entre cinco e dez salários mínimos, que registrou queda de 0,5 ponto percentual, chegando a 79,6%.
Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o índice atingiu 84,6%. Na faixa entre três e cinco salários mínimos, o percentual chegou a 83,1%. Já entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento alcançou 71,4%.
Desenrola 2.0 já renegociou R$ 20 bilhões
Os dados da CNC foram divulgados pouco mais de um mês após o lançamento do Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0. A iniciativa do governo federal entrou em vigor em 4 de maio com o objetivo de reduzir os índices de endividamento e inadimplência da população.
Segundo balanço parcial apresentado pela ministra da Casa Civil, Mirian Belchior, a modalidade voltada às famílias já beneficiou mais de 1,4 milhão de pessoas e possibilitou a renegociação de aproximadamente R$ 20 bilhões em dívidas.
Os números consideram operações realizadas até 24 de maio. O programa, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem duração prevista de 90 dias e oferece condições especiais para a renegociação de débitos.