Brasil

Morre Raimundo Carrero, ícone da literatura pernambucana, aos 78 anos

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 16 de junho de 2026 às 13:44 | Atualizado há 2 horas

Raimundo Carrero deixa legado marcante na literatura brasileira e na cultura pernambucana | Foto: Roberta Guimarães/Divulgação
Raimundo Carrero deixa legado marcante na literatura brasileira e na cultura pernambucana | Foto: Roberta Guimarães/Divulgação

Morreu nesta terça (16) o escritor pernambucano Raimundo Carrero, aos 78 anos, em decorrência de um câncer. A notícia foi divulgada no Diário de Pernambuco, onde Carrero assinava uma coluna de cultura.

Na década de 1960, Carrero começou a carreira no mesmo jornal como estagiário, depois tornando-se crítico literário e editor-chefe.

O escritor nasceu em Salgueiro, no sertão pernambucano, em 20 de dezembro de 1947. Publicou seu primeiro livro em 1975, “A História de Bernarda Soledade: A Tigre do Sertão”, sobre uma mulher que desafia o coronelismo e cria seu próprio reino.

Referência do movimento armorial

O autor foi um dos principais nomes do movimento armorial, de que também fazia parte o paraibano Ariano Suassuna.

Escreveu ainda livros como “Viagem no Ventre da Baleia” (1987), “Maçã Agreste” (1989), “Somos Pedras que se Consomem” (1995) “O Delicado Abismo da Loucura” (2005), “O Amor Não Tem Bons Sentimentos” (2007) e “O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo” (2015). Em 2000, venceu o prêmio Jabuti na categoria contos e crônicas por “As Sóbrias Ruínas da Alma”.

A lenda da perna cabeluda

Carrero também foi um dos principais disseminadores da lenda da perna cabeluda, que se espalhou pelo Recife e foi incluída no filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado a quatro Oscars. Em 1975 ele já escrevia nos jornais a história de uma perna grande e cheia de pelos que andava sozinha e atacava pessoas pelas ruas.

O escritor estava internado havia uma semana. Seu velório acontece nesta terça na Academia Pernambucana de Letras, instituição da qual era membro desde 2004.

Em nota, a academia afirmou que Raimundo Carrero era “um dos mais importantes escritores pernambucanos de sua geração” e que morreu no mesmo dia em que Suassuna, seu mestre e amigo, completaria 99 anos.


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