Economia

Geração Z troca de emprego com frequência e desafia retenção no mercado de trabalho

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 26 de junho de 2026 às 09:13 | Atualizado há 2 horas

Levantamento revela alta rotatividade entre trabalhadores jovens e maior busca por oportunidades de crescimento profissional | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Levantamento revela alta rotatividade entre trabalhadores jovens e maior busca por oportunidades de crescimento profissional | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um em cada quatro trabalhadores de 25 a 29 anos, pertencentes ao início da geração Z (“early gen Z”) permanece menos de um ano no mesmo emprego no Brasil. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a proporção sobe para 38,2%, enquanto mais da metade (52%) dos adolescentes de 14 a 17 anos deixa a vaga antes de completar 12 meses.

Os dados fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, estudo do Ministério do Trabalho e Emprego lançado nesta quinta-feira (25) e elaborado a partir do cruzamento de informações da Pnad Contínua, da Rais e de dados do eSocial.

Rotatividade varia conforme a faixa etária

Para Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do ministério, os motivos da rotatividade variam conforme a faixa etária. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, é mais comum que o próprio jovem desista da vaga. Já entre trabalhadores de 18 a 24 anos predominam os desligamentos sem justa causa.

A subsecretária afirma, porém, que parte dos jovens também deixa o emprego ao não enxergar perspectivas de crescimento profissional.

“Quando ele vê que a empresa não vai apostar nele, que ninguém o apoia ou valoriza seu trabalho, ele procura outra oportunidade”, disse em entrevista à reportagem.

Segundo Montagner, os trabalhadores mais novos têm hoje mais acesso à informação sobre carreiras e tendem a buscar vagas que ofereçam possibilidade de desenvolvimento.

“Eu fico muito feliz de ver a geração mais jovem buscando condições melhores de trabalho”, afirmou.

Emprego formal cresce entre os jovens

O país alcançou 13,9 milhões de jovens ocupados no primeiro trimestre de 2026, número 569 mil superior ao registrado antes da pandemia. No mesmo período, a taxa de desemprego da população jovem caiu pela metade em relação ao pico observado em 2021.

Além disso, a taxa de formalização atingiu 57,8% dos ocupados no primeiro trimestre de 2026, enquanto a informalidade recuou para 42,2%.

“O jovem de hoje tem clareza. Se tiver oportunidades que ajudem ele a crescer, ele vai atrás”, diz Montagner.

O estudo também identificou crescimento do número de aprendizes. O país tinha 708 mil jovens nessa modalidade no início deste ano. Entre eles, porém, persistem diferenças salariais por raça. Segundo o levantamento, aprendizes homens brancos recebem, em média, 8,4% a mais do que aprendizes pardos.

Permanência nas vagas segue como desafio

O levantamento aponta que, embora o acesso dos jovens ao mercado de trabalho tenha melhorado nos últimos anos, a permanência nas vagas continua sendo um dos principais desafios.

A pesquisa ainda observou um mercado profissional fortemente concentrado em ocupações de entrada. Dos 13,9 milhões de jovens ocupados entre 14 e 24 anos, cerca de 11,6 milhões (83,5%) trabalham em funções classificadas pelo estudo como generalistas, grupo que reúne ocupações como vendedor, balconista, caixa, recepcionista e auxiliar administrativo.

A situação preocupa a subsecretária, especialmente no caso dos estágios. Segundo ela, parte das empresas pode estar utilizando estudantes como mão de obra barata em vez de oferecer experiências ligadas à formação profissional. O diagnóstico aponta que 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo.

Número de jovens que não estudam nem trabalham

Os dados mostram ainda que 6,2 milhões não estudavam nem trabalhavam no primeiro trimestre de 2026. O contingente cresceu 12,7% em relação ao fim de 2025, movimento que o ministério atribui a fatores sazonais, comuns no início do ano, quando parte dos estudantes conclui etapas de ensino e ainda não ingressou em uma ocupação. As mulheres são maioria nesse segmento.

No entanto, a “geração nem-nem” (que não estuda nem trabalha) caiu em 2025, de acordo com informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira (19).

Os dados mostram que 22,8% das mulheres de 15 a 29 anos não trabalhavam, não estudavam nem frequentavam cursos de qualificação no ano passado, ante 12,4% dos homens.

No total, 17,5% dos jovens brasileiros estavam nessa condição em 2025, abaixo dos 22,4% registrados em 2019. O contingente passou de 11 milhões para 8,2 milhões de pessoas no período. Entre jovens pretos e pardos, o percentual chegou a 19,8%, acima dos 14% observados entre brancos. (Gabriela Cecchin/FOLHAPRESS)


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