Esportes

Cultos são alterados por jogo do Brasil e dividem líderes evangélicos

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 5 de julho de 2026 às 15:13 | Atualizado há 1 dia

Mudanças nos horários dos cultos por causa do jogo do Brasil provocaram debate entre líderes e fiéis evangélicos | Foto: CHANDAN KHANNA/AFP
Mudanças nos horários dos cultos por causa do jogo do Brasil provocaram debate entre líderes e fiéis evangélicos | Foto: CHANDAN KHANNA/AFP

Igrejas evangélicas vão cancelar ou mudar os horários dos cultos durante o jogo do Brasil contra a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na tarde deste domingo (5).

A Associação Vitória em Cristo, do pastor Silas Malafaia, por exemplo, cancelou o culto do período da noite devido à partida, focando as celebrações no período da manhã. Já outras, como a Renascer, mudaram o início do culto para depois do final da partida da seleção.

Mudanças nos cultos geram debate

Nos últimos dias, a alteração ou cancelamento de cultos motivaram uma discussão entre religiosos em vídeos publicados nas redes sociais.

Por um lado, alguns pastores afirmaram ser errado, do ponto de vista religioso, priorizar a partida da seleção em relação às atividades religiosas. Por outro, religiosos argumentam que torcer pela seleção — mesmo no horário comum do culto — não é pecado.

“Não é só sobre o culto. Há uma série de fatores que levam à mudança: garantir a saúde, o deslocamento e a segurança, além da comunhão com a família no dia do jogo. Não há orientação da Bíblia sobre o horário do culto, e sim um apego de algumas lideranças evangélicas para sacralizar o horário, como se fosse mais importante do que o culto em si”, diz o teólogo Ranieri Costa, doutorando em Comunicação e Cultura.

“Sou contra cancelar o culto por causa da motivação. Se for por um motivo justo, não há problema. Mas mudar por causa do futebol é algo fútil, supérfluo e pequeno”, diz Matheus Alves, pastor da Igreja Lagoinha, de Belo Horizonte (MG).

“Isso abre muitos precedentes. Não sou contra faltar no culto. Isso pode acontecer por inúmeros motivos. Mas e o irmão que não gosta de futebol, e quer cultuar Deus? Não vai ter essa opção na igreja dele. É uma decisão arbitrária da igreja por aquilo que transmite”, diz Alves, que publicou um vídeo no Instagram sobre o assunto. A publicação teve 432 mil visualizações.

Igrejas apresentam justificativas

Já o pastor Silas Malafaia, que cancelou a celebração da Vitória em Cristo no domingo à noite, afirma à Folha que os fiéis teriam dificuldade de chegar à sua igreja, no bairro da Penha, no Rio de Janeiro.

“Na minha igreja, é um monte de gente que chega de Uber, de táxi, mototáxi, de ônibus… Se na igreja deles, o pessoal chega só de carro, top, não tenho nada contra realizar o culto no horário do jogo”, diz.

Já a 1ª Igreja Batista em Guarulhos, na Grande São Paulo, vai transmitir o jogo no templo e, ao final, prosseguir com a celebração religiosa.

“Vai ter pipoca, vai ter lanche. E a gente vai ter um tempo de comunhão comemorando o jogo do Brasilzão. A gente vai assistir ao jogo até o fim. Depois, 15 minutinhos, banheiro, vai ter pregação com tudo certinho”, diz o pastor Bruno Ramos, com a camisa da seleção.

Ramos também afirmou que os fiéis estavam liberados para assistir à partida de casa.

“O grande detalhe é perceber que tudo o que fazemos é para honra e glória de Jesus, inclusive assistir ao jogo do Brasil.”

Futebol e religião

A escritora evangélica Heloisa Karin também publicou um vídeo no Instagram comentando o interesse dos religiosos pela Copa.

“Futebol não é pecado. Pecado é o que a Bíblia diz que é pecado. Em momento algum os esportes são tratados como tal nas escrituras. E a Copa só é do mundo porque é mundial, e não do Diabo”, diz. (FOLHAPRESS)


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