Política

Cotado para vice de Zema, Geraldo Rufino responde na Justiça por suposta fraude de R$ 6,8 milhões

Léo Carvalho

Publicado em 6 de julho de 2026 às 09:31 | Atualizado há 2 horas

Geraldo Rufino é investigado por supostas irregularidades na condução da recuperação judicial da empresa que fundou e nega as acusações | Foto: Rede social
Geraldo Rufino é investigado por supostas irregularidades na condução da recuperação judicial da empresa que fundou e nega as acusações | Foto: Rede social

O empresário Geraldo Rufino (Podemos), apontado como um dos nomes cotados para compor como vice a eventual chapa presidencial do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), responde na Justiça por suspeita de participação em um esquema que teria causado prejuízo de pelo menos R$ 6,8 milhões a credores da JR Diesel, empresa fundada por ele e que está em recuperação judicial desde 2016.

A suspeita consta em decisão da juíza Gilvana Mastrandéa de Souza, da 7ª Vara Cível de Osasco (SP), que manteve Rufino e sua esposa, Marlene Rufino, afastados da administração da empresa. Segundo a magistrada, há indícios de um “padrão de conduta” marcado por confusão patrimonial, desvio de recursos e favorecimento indevido de determinados credores, em afronta às regras da recuperação judicial.

Conforme a decisão, a investigação identificou movimentações superiores a R$ 6,8 milhões destinadas a sócios, familiares e empresas ligadas ao grupo, sem justificativa contratual considerada suficiente. Os autos também apontam indícios de pagamentos de despesas pessoais com recursos da empresa, operações em dinheiro, possível manutenção de “caixa dois” e utilização de empresas abertas em nome de parentes e funcionários para proteger patrimônio da JR Diesel durante o processo de recuperação judicial.

A magistrada também menciona créditos de aproximadamente R$ 380 mil destinados aos filhos de Geraldo Rufino, embora eles não integrassem o quadro de funcionários da empresa, além da existência de um inquérito policial para apurar eventual prática de crimes previstos na Lei de Falências.

Em sua decisão, a juíza entendeu que o retorno dos antigos administradores poderia colocar novamente a empresa sob a gestão de pessoas investigadas pelas supostas irregularidades, com risco de repetição dos prejuízos aos credores. Por esse motivo, negou o pedido para que Geraldo Rufino reassumisse a administração da companhia.

A JR Diesel entrou em recuperação judicial em 2016. Em 2024, Rufino foi afastado da gestão da empresa após a identificação das supostas irregularidades apontadas no processo.

Geraldo fundou a JR Diesel em 1985 quando surgiu a necessidade de vender as peças de seu caminhão para evitar a perda total do veícul | Foto: Divulgação

Conhecido nacionalmente pela trajetória de superação e pelas palestras sobre empreendedorismo, Geraldo Rufino construiu uma imagem pública como exemplo de sucesso empresarial e acumula milhões de seguidores nas redes sociais. A divulgação das investigações ocorre justamente quando seu nome passou a ser cogitado para integrar a chapa presidencial de Romeu Zema nas eleições de 2026.

Até o momento, não há condenação definitiva contra o empresário. O caso segue em tramitação na Justiça, e as acusações ainda serão analisadas ao longo do processo, sendo assegurado a Rufino o direito à ampla defesa e ao contraditório.


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