Internacional

Trump diz estar decepcionado com Otan e critica falta de apoio de aliados aos EUA

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 7 de julho de 2026 às 11:20 | Atualizado há 1 hora

Donald Trump participa da cúpula da Otan na Turquia e cobra maior apoio dos países aliados | Foto: SAUL LOEB/AFP
Donald Trump participa da cúpula da Otan na Turquia e cobra maior apoio dos países aliados | Foto: SAUL LOEB/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (7) estar “muito decepcionado” com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao participar da cúpula da aliança militar na Turquia.

Trump reclamou que a Otan não estava auxiliando os Estados Unidos nas operações contra o Irã. “Não fomos bem tratados porque fizemos algo no Irã”, disse Trump.

“A Itália nos rejeitou, a Alemanha nos rejeitou e a França nos rejeitou”, acrescentou o presidente americano. “E, de certa forma, eu estava testando as pessoas”, completou.

Trump fala sobre relação com Giorgia Meloni

Questionado sobre uma nova provocação feita à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Trump minimizou a publicação e afirmou que considera a líder italiana uma “pessoa agradável”.

O presidente americano, porém, disse que o relacionamento entre os dois ficou “um pouco ruim” porque a Itália não teria ajudado os Estados Unidos nos esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.

“Ela simplesmente não estava presente para nós, e eu não gostei disso”, afirmou Trump.

No domingo (5), o republicano publicou uma foto dele com Meloni acompanhada da legenda “é necessária uma ordem de restrição”. A publicação fazia referência aos comentários anteriores de Trump de que Meloni teria “implorado” por uma foto durante a cúpula do G7, grupo das principais nações industrializadas, no mês passado.

Trump destaca amizade com Erdogan

O líder republicano também citou a importância da relação com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

“Se não fosse na Turquia, onde meu amigo é um líder muito forte, uma pessoa muito influente, é possível que eu não tivesse comparecido [à cúpula da Otan]”, afirmou Trump ao ser questionado sobre uma possível redução das tropas americanas na Europa.

O presidente dos Estados Unidos não respondeu diretamente à pergunta.

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Trump afirmou que ele e Erdogan são “grandes amigos” e que possuem “boa química” e uma “relação especial”.

O líder americano chegou ao complexo presidencial em Ancara na manhã desta terça-feira. Ele foi recebido por uma guarda de honra, uma banda tocando o hino nacional americano e uma demonstração aérea com caças deixando rastros de fumaça vermelha, branca e azul.

Cúpula da Otan debate defesa e conflitos internacionais

Trump afirmou a jornalistas que ele e Erdogan discutiriam questões comerciais e militares. O presidente americano também demonstrou abertura para que os Estados Unidos retomem as vendas de caças F-35 para a Turquia.

A cúpula da Otan acontece nesta terça e quarta-feira, reunindo líderes dos países que integram a aliança militar. Entre os temas em discussão estão os investimentos em defesa, as consequências da guerra com o Irã, a segurança no Estreito de Ormuz e os próximos passos no conflito da Ucrânia.

Pouco antes da chegada de Trump, os líderes da Otan anunciaram acordos de armas avaliados em dezenas de bilhões de dólares e reforçaram que estão “atendendo apelos dos EUA”.

Nas últimas semanas, Trump tem feito críticas diretas aos aliados europeus, pedindo que os países aumentem os gastos com sua própria defesa.

Trump fala em mudanças na aliança militar

Trump tem mencionado repetidamente a possibilidade de deixar a Otan. O governo americano também defende uma transformação profunda na estrutura da organização.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, citou uma “Otan 3.0”, termo que aumentou os questionamentos entre capitais europeias sobre o futuro da aliança militar.

A expectativa é de que o presidente americano faça ainda duas reuniões bilaterais antes da cúpula: com o presidente da Síria, Ahmed al Sharaa, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

No encontro com Zelensky, Trump deve discutir formas de colocar fim à guerra, informou um alto funcionário americano à agência de notícias AFP.


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