Passagem de ônibus volta a ser cobrada para não moradores em São Caetano
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 15 de julho de 2026 às 09:27 | Atualizado há 2 horas
Ônibus de São Caetano do Sul voltam a cobrar passagem de usuários que não residem no município | Foto: Letícia Teixeira/PMSCS
São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, volta a cobrar nesta quarta-feira (15) tarifa de ônibus para quem não mora no município do ABC paulista. O preço da passagem é R$ 5.
A tarifa zero foi implantada em outubro de 2023 no transporte público da cidade para todos os usuários e impulsionou o crescimento no número de passageiros transportados diariamente.
Prefeitura aponta aumento de demanda como motivo
Conforme a prefeitura, a mudança ocorre porque o programa foi mal dimensionado em sua origem, sem se estimar fontes de receitas suficientes para a gratuidade — estimou-se um aumento de até 50% no número de passageiros, mas o crescimento foi de 300%, passando de 20 mil para 80 mil usuários diários.
O pagamento da passagem será em dinheiro direto ao motorista ou com um cartão que pode ser solicitado no site da Vipe (Viação Padre Eustáquio). Segundo a prefeitura, os ônibus não voltarão a ter cobradores.
Só tem direito ao passe livre moradores cadastrados. Até o próximo dia 25 não será preciso apresentar o cartão que garante passe livre, mas o usuário deverá mostrar documento pessoal com foto (RG ou carteira de habilitação) e o email de aprovação de solicitação, onde consta o nome do passageiro e o número de protocolo.
Quem ainda não se cadastrou, mesmo residindo no município, terá de pagar para viajar nos coletivos. Gratuidades estabelecidas por leis estaduais e federais, como para idosos, estão mantidas.
Até esta segunda-feira (13), 60.327 pessoas já haviam se cadastrado em um programa chamado SancaGovbr (cadastro único do morador de São Caetano). Desses, 52.459 moradores tiveram as solicitações aprovadas.
Dos pedidos reprovados, a maioria é devido a inconsistências na apresentação de documentos, como residências em outras cidades e até em outros estados, afirma o município.
A prefeitura diz que mais de 21 mil cartões que garantem a gratuidade já foram entregues.
Reclamações sobre a qualidade do serviço
A alteração ocorre em meio a intensas reclamações sobre a infraestrutura dos veículos, superlotação e insuficiência da frota.
“Isso resultou na queda da qualidade do serviço, com ônibus lotados e reclamações dos usuários”, diz a gestão do prefeito Tite Campanella (PL).
Como mostrou a Folha de S.Paulo, um levantamento da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transporte) apontou que oito municípios brasileiros que implantaram gratuidade no transporte público voltaram a cobrar passagem de ônibus nos últimos anos.
O recuo ocorreu em cidades de pequeno e médio porte, com populações que variam entre 18 mil e 111 mil habitantes. Metade desses municípios fica no estado de São Paulo.
Como ter acesso à tarifa grátis
- Acesse o site do programa SancaGovbr;
- Preencha dados pessoais;
- Faça o upload de documento pessoal (RG ou CNH) e de um comprovante de residência (IPTU não é aceito);
- Tire uma selfie para o reconhecimento facial;
- Os cartões serão enviados aos moradores;
- Frequentadores dos CISEs (Centros Integrados de Saúde e Educação) da Terceira Idade devem retirar os cartões no próprio órgão. Já alunos da rede municipal de Educação recebem os cartões diretamente na sua escola.
Quem tem direito
Além das gratuidades estabelecidas por leis estaduais e federais, será mantida a gratuidade nos ônibus aos seguintes usuários:
- Moradores de São Caetano do Sul;
- Pacientes da rede pública de saúde de São Caetano do Sul em tratamento de câncer;
- Servidores públicos municipais;
- Estudantes matriculados na USCS (Universidade de São Caetano do Sul) e na Fundação das Artes;
- Alunos matriculados nas unidades de São Caetano do Sesi, Senai, Etec, Fatec, Instituto Mauá de Tecnologia e Faculdade Paulista de Serviço Social;
- Idosos com idade entre 60 e 65 anos, não abrangidos pela gratuidade prevista na legislação federal;
- Profissionais das forças de segurança pública nacional, estadual ou municipal, incluídos os integrantes do Tiro de Guerra, desde que uniformizados em serviço.