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Imortal, Argentina vira de novo com genialidade de Messi, bombardeia Inglaterra e vai à final contra Espanha com técnica e alma

Redação Online

Publicado em 15 de julho de 2026 às 18:38 | Atualizado há 1 hora

Argentina transforma pressão em glória, castiga recuo precoce da Inglaterra e alcança segunda decisão mundial consecutiva com genialidade de Messi | Fotos: Fifa
Argentina transforma pressão em glória, castiga recuo precoce da Inglaterra e alcança segunda decisão mundial consecutiva com genialidade de Messi | Fotos: Fifa

A Argentina voltou a desafiar os limites do possível. Quando a Inglaterra parecia próxima da final, protegida por um bloco defensivo profundo e por uma vantagem construída no segundo tempo, a seleção campeã mundial encontrou forças para escrever mais um capítulo de resistência, técnica e devoção à própria identidade.

A vitória por 2 a 1, nesta quarta-feira (15/07), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, levou os argentinos à decisão da Copa do Mundo de 2026. Enzo Fernández e Lautaro Martínez marcaram nos instantes finais, ambos após passes de Lionel Messi, e desmontaram o sistema inglês em um intervalo de seis minutos.

A classificação colocou a Argentina diante da Espanha, no próximo domingo (19/07), às 16h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Será o encontro entre duas escolas que reconhecem a bola como instrumento de domínio, criação e inteligência.

Mais do que uma semifinal, o confronto em Atlanta reuniu memória, tensão e simbolismo. Argentina e Inglaterra carregam uma rivalidade que ultrapassa o campo e encontra raízes na Guerra das Malvinas, em 1982, além dos episódios que transformaram o duelo da Copa de 1986 em parte da mitologia do futebol.

Naquela ocasião, Diego Maradona marcou dois gols eternos: um com a mão, outro após superar quase toda a defesa inglesa. Quarenta anos depois, Messi assumiu novamente o papel de condutor de uma seleção argentina que se recusa a aceitar a derrota como destino.

O primeiro tempo apresentou intensidade física, mas pouca elaboração ofensiva. As equipes disputaram cada espaço com rigor, acumularam faltas e reduziram o jogo a um combate territorial. Nenhum dos goleiros enfrentou ameaça relevante.

A Inglaterra ocupou zonas mais adiantadas em alguns momentos, porém sem ritmo suficiente para romper a estrutura adversária. A Argentina controlou parte da posse, mas encontrou dificuldades diante da marcação compacta e do reduzido espaço entre as linhas.

Messi recebeu vigilância permanente. A defesa inglesa fechou os corredores centrais e impôs contatos duros ao camisa 10. Mesmo distante da área, ele atraiu marcadores e abriu caminhos para os companheiros.

Jude Bellingham também encontrou pouco espaço. O meio-campista inglês, um dos principais articuladores da equipe, ficou preso ao confronto físico e teve influência limitada na construção das jogadas.

A partida mudou após o intervalo. As duas seleções abandonaram parte da cautela, aumentaram a presença ofensiva e passaram a atacar com maior velocidade. O jogo ganhou amplitude e abriu zonas que não existiram na etapa inicial.

A Inglaterra encontrou o gol após uma sequência de erros defensivos da Argentina. Harry Kane recuou para participar da criação e lançou o ataque. A jogada prosseguiu pelos lados até Anthony Gordon aparecer livre na área e superar Emiliano Martínez.

O gol premiou a iniciativa inglesa, mas também alterou de forma decisiva a postura da equipe. Em vez de ampliar o controle, a seleção comandada por Thomas Tuchel recuou, acumulou defensores e entregou o campo à adversária.

A escolha ofereceu à Argentina aquilo de que ela mais precisava: território, posse e tempo para cercar a área. A partir daquele momento, a semifinal assumiu a forma de um ataque contínuo contra uma defesa cada vez mais baixa.

A bola permaneceu quase sempre nos pés argentinos. Os passes curtos aproximaram os setores, os laterais avançaram e os atacantes ocuparam a área. A Inglaterra desistiu da iniciativa e passou a depender de contra-ataques esporádicos.

A Argentina não atacou apenas por necessidade. Atacou por convicção. A equipe preservou a lucidez, evitou o desespero e transformou a pressão em método.

Julián Álvarez ameaçou em duas oportunidades. Nico González acertou a trave. Jordan Pickford realizou defesas importantes e sustentou a vantagem inglesa quando a estrutura à sua frente já demonstrava sinais de desgaste.

O bloqueio, contudo, não eliminou a sensação de que o empate se aproximava. A Argentina empurrou a Inglaterra para dentro da própria área e passou a recuperar a bola poucos segundos após cada tentativa de saída.

Messi, até então cercado e discreto, encontrou o espaço mínimo de que necessitava. Aos 40 minutos do segundo tempo, recebeu a bola, levantou a cabeça e serviu Enzo Fernández.

O meio-campista finalizou de fora da área. Pickford não conseguiu conter o chute, e o empate rompeu a resistência inglesa.

O gol provocou uma mudança emocional imediata. A Argentina percebeu a fragilidade do adversário e intensificou o cerco. A Inglaterra, abalada, já não encontrava forças para afastar a bola nem organização para reconstruir o sistema defensivo.

Nos acréscimos, Messi voltou a aparecer. O camisa 10 recebeu com liberdade, reconheceu a movimentação de Lautaro Martínez e ofereceu a segunda assistência da noite.

Lautaro, que começou no banco, atacou o espaço e concluiu de cabeça. A bola entrou, o estádio explodiu e a Argentina completou mais uma virada histórica em sua campanha.

A celebração reuniu jogadores, comissão técnica e milhares de torcedores. O canto argentino tomou as arquibancadas e transformou Atlanta em extensão simbólica de Buenos Aires.

A Inglaterra pagou caro pela renúncia ofensiva. A equipe construiu a vantagem, mas abandonou cedo demais a disputa pela bola. Ao substituir atacantes por defensores, perdeu profundidade, permitiu o avanço dos argentinos e transformou o restante da partida em resistência.

O plano inglês quase funcionou. A execução, contudo, exigia perfeição absoluta. Contra uma seleção que reúne Messi, Enzo Fernández, Lautaro Martínez e uma cultura competitiva consolidada, qualquer fissura poderia assumir proporções definitivas.

A Argentina, por sua vez, confirmou uma característica que atravessa toda a campanha. A equipe não percorreu um caminho confortável até a final. Cada etapa exigiu recuperação emocional, resistência física e capacidade para encontrar soluções sob pressão.

Na primeira fase eliminatória, Cabo Verde levou o confronto à prorrogação antes de sofrer a derrota por 3 a 2. Nas oitavas de final, o Egito abriu dois gols de vantagem e sustentou o resultado até a metade do segundo tempo, mas os argentinos reagiram e venceram novamente por 3 a 2.

Nas quartas, a Suíça impôs dificuldades durante quase toda a partida. A classificação por 3 a 1 surgiu apenas na prorrogação, após uma expulsão que alterou o equilíbrio do jogo.

Contra a Inglaterra, o desafio foi ainda maior. O peso histórico do confronto, a qualidade técnica do adversário e a proximidade da eliminação criaram um ambiente de enorme pressão.

A Argentina respondeu com futebol. A equipe atacou, correu riscos e preservou a própria identidade. Não buscou a classificação por acaso nem por impulso isolado. Construiu a vitória por meio de domínio territorial, circulação de bola e insistência ofensiva.

Messi simbolizou essa reação. Mesmo sem uma atuação marcada por arrancadas ou finalizações, decidiu a semifinal com visão e precisão. Suas duas assistências traduziram o talento de quem percebe espaços invisíveis para os demais.

A primeira encontrou Enzo no momento em que a defesa inglesa já não conseguia bloquear a entrada da área. A segunda localizou Lautaro entre os defensores, no lance que levou a Argentina à final.

O camisa 10 terá, agora, a oportunidade de disputar outra decisão mundial. Campeão em 2022, ele lidera uma geração que busca o quarto título argentino e o segundo de forma consecutiva.

Caso conquiste a taça, a Argentina se juntará a um grupo restrito. Apenas Itália, em 1934 e 1938, e Brasil, em 1958 e 1962, alcançaram dois títulos mundiais seguidos.

A presença na final também mantém uma tradição histórica. Sempre que chegou à semifinal de uma Copa, a Argentina avançou à decisão. O roteiro ocorreu em 1930, 1986, 1990, 2014, 2022 e voltou a se repetir em 2026.

A Inglaterra, por outro lado, perdeu a oportunidade de regressar à final após seis décadas. Desde o título de 1966, conquistado em casa, o país não disputa a partida decisiva do Mundial.

O revés ampliou uma trajetória marcada por eliminações dolorosas. Desta vez, a seleção inglesa esteve perto da vaga, mas permitiu que o medo da derrota substituísse a ambição pela vitória.

A Argentina fez o movimento contrário. Mesmo atrás no placar, preservou a coragem, aumentou o volume ofensivo e submeteu a Inglaterra a uma pressão quase permanente.

Essa diferença de postura definiu a semifinal. De um lado, uma equipe que tentou proteger o resultado. Do outro, uma seleção que recusou a lógica da conservação e apostou na força criativa do futebol.

A decisão contra a Espanha reunirá duas equipes que chegaram à final por caminhos distintos, mas com princípios semelhantes. Os espanhóis eliminaram a França por 2 a 0, com controle coletivo e superioridade técnica. Os argentinos superaram a Inglaterra por meio de uma reação épica.

O confronto também colocará frente a frente duas concepções refinadas de posse de bola. A Espanha busca o domínio por meio da organização, da mobilidade e da ocupação racional dos espaços. A Argentina combina técnica, intensidade emocional e capacidade de adaptação.

Será uma final entre tradição e renovação, controle e improviso, estrutura e inspiração. De um lado, o jogo coletivo espanhol. Do outro, a alma competitiva argentina sob a liderança de Messi.

Em Atlanta, a Argentina não conquistou apenas uma vaga. Reafirmou uma identidade construída ao longo de décadas, marcada por talento, sofrimento e resistência.

A equipe esteve perto da queda, sofreu diante do bloqueio inglês e carregou o peso de uma rivalidade histórica. Ainda assim, encontrou na bola a resposta para todos os obstáculos.

Quando o relógio ameaçou encerrar o sonho, Messi criou duas soluções, Enzo iniciou a revolta e Lautaro completou a obra.

A Argentina virou mais uma vez. Virou porque acreditou. Virou porque atacou. Virou porque transformou técnica em coragem e emoção em futebol.

Agora, diante da Espanha, buscará o tetra, o bicampeonato consecutivo e mais um lugar entre as equipes imortais da história das Copas.

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