Governo federal eleva projeção da inflação para 5,1% e cita risco de impacto do El Niño
Léo Carvalho
Publicado em 15 de julho de 2026 às 15:11 | Atualizado há 57 minutos
Ministério da Fazenda revisou para 5,1% a projeção da inflação oficial em 2026 e manteve a estimativa de crescimento do PIB em 2,3% | Foto: Tânia Rêgo
O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção da inflação oficial do Brasil em 2026. Segundo o Boletim Macrofiscal divulgado nesta quarta-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,5% para 5,1%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%.
De acordo com o relatório, a revisão está relacionada, principalmente, aos possíveis impactos de um El Niño mais intenso sobre a economia brasileira. O fenômeno climático pode alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em diferentes regiões do país, afetando a produção agropecuária e reduzindo a oferta de alimentos, o que tende a pressionar os preços ao consumidor. Além disso, a Fazenda aponta que o evento climático também pode aumentar os custos de energia e de logística.
Apesar da revisão na inflação, o governo manteve a expectativa de crescimento de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Segundo a Secretaria de Política Econômica, a atividade econômica continua em expansão e a expectativa é de aceleração no segundo trimestre, após o avanço de 1,1% registrado no primeiro.
O boletim também avaliou que uma eventual nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter impacto macroeconômico limitado, diante da expectativa de que diversos produtos sejam contemplados por exceções nas medidas comerciais.
Outro ponto abordado pelo documento é o efeito das medidas de crédito anunciadas pelo governo federal a partir de maio. Segundo a SPE, o impacto sobre a atividade econômica ainda foi reduzido, uma vez que a regulamentação retardou o início efetivo das operações.
A Secretaria também considera que programas de renegociação de dívidas, como as duas modalidades do Desenrola, além da ampliação do acesso ao crédito para famílias, empresas e microempreendedores individuais, deverão ter efeito neutro sobre a economia no curto prazo.
Para os próximos anos, o Ministério da Fazenda revisou a projeção de crescimento econômico de 2027, reduzindo a estimativa de 2,6% para 2,5%. A expectativa para a inflação no próximo ano também foi elevada, passando de 3,5% para 3,6%, refletindo um cenário de juros mais elevados por mais tempo e uma redução mais gradual da taxa Selic.
O relatório ainda destaca que o conflito no Oriente Médio permanece entre os principais fatores de risco para a economia global. Segundo a Fazenda, embora uma trégua temporária entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido os preços internacionais do petróleo, a retomada das hostilidades voltou a elevar as cotações da commodity e aumentou as incertezas no cenário econômico. (GUILHERME PIMENTA E IDIANA TOMAZELLI/Folhapress)