Inflação desacelera em junho após queda nos preços de alimentos, aponta IBGE
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 10 de julho de 2026 às 13:43 | Atualizado há 1 hora
Café, frutas e carnes ficaram mais baratos e contribuíram para a desaceleração da inflação | Foto: Freepik
A inflação perdeu força em junho com a redução dos preços de diversos alimentos, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os principais responsáveis pelo alívio no bolso do consumidor estão o café, as frutas e as carnes, que registraram queda no mês.
O grupo Alimentação e bebidas encerrou junho com recuo de 0,24%, revertendo o avanço de 1,33% observado em maio, quando foi um dos principais responsáveis pela pressão inflacionária. Apesar da retração nos alimentos, o IPCA fechou o mês com alta de 0,16%.
A principal contribuição para esse resultado veio da alimentação consumida em casa, que caiu 0,39% em junho. Foi a primeira redução registrada nesse segmento em 2026, refletindo a diminuição dos preços de diversos produtos presentes na cesta de consumo das famílias.
Entre os itens que ficaram mais baratos, o café moído apresentou queda de 3,72%, enquanto as frutas recuaram 1,58%. As carnes também registraram redução, com baixa de 0,64%, ajudando a conter o avanço da inflação no período.
Por outro lado, alguns alimentos seguiram em trajetória de alta. O feijão-carioca teve aumento de 8,31%, a maior elevação entre os produtos pesquisados, seguido pela batata-inglesa, que ficou 3,57% mais cara ao consumidor.
Queda nos alimentos foi puxada por diferentes categorias
Além dos produtos que mais influenciaram o resultado do mês, o levantamento do IBGE mostra comportamentos distintos entre os grupos alimentícios pesquisados.
Confira a variação dos principais segmentos de alimentação e bebidas em junho:
| Item | Variação em junho |
|---|---|
| Cereais, leguminosas e oleaginosas | 1,61% |
| Farinhas, féculas e massas | 0,35% |
| Tubérculos, raízes e legumes | 1,29% |
| Açúcares e derivados | -0,85% |
| Hortaliças e verduras | -0,39% |
| Frutas | -1,58% |
| Carnes | -0,64% |
| Pescados | -0,57% |
| Carnes e peixes industrializados | 0,13% |
| Aves e ovos | -0,71% |
| Leite e derivados | 0,22% |
| Panificados | -0,14% |
| Óleos e gorduras | -1,82% |
| Bebidas e infusões | -1,77% |
| Enlatados e conservas | 0,11% |
| Sal e condimentos | 1,55% |
A alimentação fora de casa também apresentou desaceleração em relação ao mês anterior. O índice passou de 0,49% em maio para 0,15% em junho. O preço dos lanches variou 0,13%, depois de alta de 0,49% no mês anterior. Já as refeições tiveram aumento de 0,15%, abaixo dos 0,51% registrados em maio.
Energia elétrica pressionou o índice geral
Mesmo com o recuo dos alimentos, o IPCA permaneceu em terreno positivo em junho. A inflação oficial do país avançou 0,16% no mês, após registrar queda de 0,58% em maio.
No acumulado de 2026, a inflação já soma alta de 3,36%. Considerando os últimos 12 meses, o índice chegou a 4,64%, permanecendo acima do teto da meta estabelecida para este ano.
O objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite máximo permitido é de 4,5%, percentual superado pelo resultado acumulado em 12 meses.
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação registrou a maior alta em junho, com avanço de 0,63%. Já Alimentação e bebidas apresentou a maior contribuição negativa, ao recuar 0,24%.
Segundo o instituto, o principal impacto individual sobre o índice do mês veio da energia elétrica residencial, que respondeu por aproximadamente 0,06 ponto percentual da inflação registrada em junho.